Dica de série: Unbreakable Kimmy Schmidt

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Gente, QUE. SÉRIE. LEGAL. Unbreakable Kimmy Schmidt é a nova empreitada da Tina Fey, e foi lançada há alguns dias via Netflix. Pelo menos nos primeiros episódios, Tina não atua, e só fica na produção e no roteiro, dando lugar à ótima Ellie Kemper. A história é simples e ao mesmo tempo genial: Kimmy passou quase toda a vida presa em um bunker de uma seita apocalíptica, cujo líder dizia a ela e outras três mulheres que o mundo havia acabado e só elas haviam sobrevivido. Resgatadas por um time da SWAT, elas ficam conhecidas como Mulheres Toupeiras, aparecem na TV e são retratadas como vítimas.

Mas não Kimmy. Ela não quer voltar para Indiana e ser vítima pelo resto da vida. Após uma entrevista em um programa matutino em Nova York, ela decide fazer da cidade a sua nova casa. Kimmy consegue um emprego como babá de uma família nada convencional (Jane Krakowski, a Jenna de 30 Rock, está ótima como a mãe) e um roomate, e logo começa sua jornada na Big Apple.

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Kimmy é inabalável. É forte, destemida e odeia quando dizem que ela não pode, que não vai conseguir. Está sempre com um sorriso no rosto e traz uma inocência e uma candura que nem as crianças e adolescentes que aparecem na série possuem. Ela é colorida, divertida e totalmente alheia às bobagens que diz por ter vivido literalmente embaixo da terra durante muitos anos.

O texto é afiado, Ellie Kemper está no papel que vai fazer todo mundo prestar atenção nela (sinto cheiro de Emmy) e Tina Fey está provando que 30 Rock pode não ter sido o melhor que ela tinha a oferecer. Colocando novamente uma protagonista feminina que não se encaixa nas expectativas que se tem de uma mulher na TV, ela desafia a noção de que o sexo feminino não tem a capacidade de ser engraçado e a cada episódio dá uma alfinetada a quem diz que a mulherada não pode tudo.

Vi apenas quatro episódios, mas acho que já dá pra dizer que Tina Fey pode – e consegue – fazer de tudo. Kimmy Schimdt se junta a algumas das melhores séries da TV atualmente, cada uma quebrando barreiras a seu próprio modo. Kimmy poderia ser apenas mais uma história de uma garota que se muda para Nova York em busca de se encontrar e realizar um sonho, mas vai muito além disso criando uma personagem cheia de dimensões – e isso é o que lhe garante lugar no time das melhores comédias dos últimos anos (Orange is the New Black, Girls, Veep e tantas outras).

Bem vinda, Kimmy. Posso ser sua melhor amiga?

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Novo canal no YouTube! :)

JEMT

PARA TUDO

TEM CANAL NOVO NA ÁREA

EEEEEE \o/

Eu e Daniel nos unimos em mais um empreendimento, que é – TCHAN TCHAN TCHAN TCHAN – falar aleatoriedades no YouTube, porque ninguém é de ferro.

Vamos tentar fazer isso uma vez por semana. Isso sendo: falar de livros, filmes, HQs, séries, etc. Sabemos que existem 5676413541646 canais no YouTube que fazem o mesmo, mas nenhum com o nosso jeitinho, a nossa carinha, a nossa perspectiva de quem não só consome cultura aos montes, mas que também trabalha nesse meio. Daniel é escritor e eu sou jornalista, e formamos a Build Up Media, que atende a músicos, estilistas, fotógrafos e outros artistas em geral. Quer dizer: respiramos essa coisa toda, então montamos o “Cultura a Dois”.

Ou seja: vem com a gente, que vai ser legal, vai ser divertido.

Resenha: ‘Masters of Sex’, de Thomas Maier

mastersofsexthomasmaierEditora: Leya
Páginas: 448
Lançamento: 2014
Nota: 3,5/5

Essa é uma recomendação de série de TV disfarçada de resenha de livro. Masters of Sex foi lançado no Brasil pela editora Leya após o sucesso de crítica da série de mesmo nome, que vai ao ar nos Estados Unidos pelo canal Showtime. Estava eu solenemente ignorando a existência do seriado, concentrada em manter baixo o meu acúmulo de episódios, quando eu e Ana Telma trocamos dicas de TV. Ela assistiria Breaking Bad e True Detective, e eu Broadchurch e Masters of Sex. Eu até esperava gostar, mas não imaginava que elas logo se tornariam duas das minhas séries favoritas.

Masters of Sex me trouxe um fascínio por essa história real e muito da maluca: um homem e uma mulher que, juntos, revolucionaram o conhecimento sobre sexo lá em 1960 e poucos. A série é super caprichada na produção de época, mas também (e principalmente) veio cheia de personagens femininas fascinantes. Elas trabalhavam, se divorciavam, faziam sexo porque gostavam e liam Simone de Beauvoir, tudo isso usando uns vestidos lindos de morrer. Pra mim, parecia uma evolução lógica partir para o livro que deu origem à coisa toda.

É que ando numa fase muito feminista. Nunca tinha pensado em me rotular dessa forma até que comecei a pensar na realidade em que vivo e na vida ainda mais difícil de outras mulheres nesse mundão de meu Deus. Venho estudando mais e mais sobre gênero e ainda tenho planos de fazer um documentário sobre pessoas trans – mais sobre isso numa outra hora. Tudo porque, bem, eu quero tentar deixar o mundo um lugar um pouco mais igualitário – ou, ao menos, tentar entendê-lo melhor, já pensando no meu futuro papel como mamãe. Um dia. Tudo em seu devido tempo.

Agora, quero mais é ver Masters of Sex. Estou em meados da segunda (e mais recente) temporada, mas devorei o livro em pouco mais de uma semana – logo eu, que odeio ~spoilers~. Esperava uma leitura um tanto quanto monótona, porque já conhecia parte da história, mas acabei me surpreendendo. Não que o livro não seja nem um pouquinho arrastado, porque é. O autor se perde um pouco em floreios e repetições desnecessárias, especialmente a uma reportagem. Sou fã do jornalismo literário e entendo que é legal dar uma preenchida nas lacunas ambientando cenas e construindo melhor os personagens. Mas Maier acaba abusando um pouco desses recursos narrativos em certos momentos do livro, que engrena melhor lá pelos seus 25% e engata de vez.

Não tinha como não engatar. Quer dizer, a história é muito boa. Estamos falando de dois personagens riquíssimos. William Masters era um médico ambicioso que queria deixar sua marca na história da ciência e escolheu fazer uma pesquisa ousada: o que acontece no corpo durante o sexo. Isso numa época em que era proibido falar a palavra “grávida” na TV. Sério.

Virginia Johnson era só uma mulher querendo sustentar os dois filhos sozinha e pagar pelos próprios estudos quando se tornou secretária de Masters. Ela logo evoluiu para se tornar sua parceira na pesquisa, ajudando a desbravar as sensações provocadas pela relação sexual, mesmo sem ter um diploma na parede. Ambos guiados pela vontade de ir além, mas também por suas qualidades e defeitos que fazem dos dois ora mocinhos, ora vilões.

Mas não é “só” isso. A história não se resume a um estudo cujos resultados a gente já conhece. O orgasmo já foi desmistificado, a masturbação não fez ninguém ficar com a mão peluda e o Viagra tá aí desafiando a impotência desde 1998. Essa é uma história sobre duas pessoas que tinham uma ambição em comum, mas pouco mais do que isso, e passaram suas vidas interligados. O mais legal disso tudo é conhecer a fundo esses personagens e entender de que forma esse relacionamento tão complicado se desenvolveu – entre si, com pacientes, familiares, amigos, a comunidade médica, a imprensa, a religião.

Se o livro de Maier não é lá tão palatável (com ajuda de uma tradução que insiste em usar palavras como “intercurso”), ainda assim Masters of Sex se torna uma leitura surpreendente pela história única que traz. Nesse caso, o feito da série se torna ainda mais respeitável: Michelle Ashford está conduzindo o seriado de forma brilhante, oferecendo uma nova perspectiva sobre a sexualidade feminina, criando personagens muitas vezes mais fascinantes do que os da vida real com um elenco admirável e roteiros afiadíssimos sem abrir mão da não-ficção que guia a história. A série está conseguindo algo que o próprio autor falhou em fazer durante a leitura: transformar essa saga improvável em uma delícia de se acompanhar.

Eu não odeio Game of Thrones (mais)

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Comecei a assistir Game of Thrones no ano passado, por causa do meu noivo. E, bem, do mundo todo. Queria entender o motivo de tanta gente acompanhar a série, fazer live tweeting dos episódios e gravar até aqueles vídeos de reação às cenas mais chocantes.

Pois achei fraco. As intrigas políticas e românticas não me interessaram de cara e tudo pareceu mais uma desculpa para cenas de sexo (afinal, não é TV, é HBO).

Abandonei após o fim da primeira temporada e não olhei pra trás. Pelo menos até abril, quando começou todo o bafafá de novo, por causa da quarta temporada. Estava em Buenos Aires nessa época e os outdoors eram basicamente um revesamento do Tyrion, do Papa Francisco e do Messi. Não tinha como fugir, e a curiosidade voltou a me incomodar. Será que eu ainda não tinha chegado na parte boa que fez todo mundo se viciar (apesar de que em 10 episódios dá mais do que tempo de cativar o espectador)?

Parece que foi esse o problema. Enquanto o Daniel surtava junto com o mundo, que assistia a quarta temporada, eu retomei os episódios ainda na segunda. E, lá pelo final dessa leva de capítulos, eu já estava querendo saber o que seria do Kingslayer, da pobre coitada da Arya, do rei FDP, do gordinho da muralha e da rainha manipuladora.

Mas Game of Thrones continua sendo uma série que não tem nada a ver comigo. Não costumo gostar de histórias de época (a não ser os romances melosos), mas logo ficou claro que a série é muito mais do que isso – até porque a parte de “época” é compensada com uma produção em nível inimaginável pra TV.

É jogo de intrigas que mostra o pior e o melhor em cada um dos seus trocentos personagens. Ninguém é completamente bonzinho ou um vilão canalha. É esse não saber quem é a lebre e quem é a ovelha que dá o clima de “tudo pode acontecer”, inclusive a morte bizarra de um ou outro protagonista ao longo do caminho. E ao mesmo tempo em que objetifica mulheres (provavelmente uma consequência da sociedade em que a história se passa), apresenta personagens femininas fortes e que se recusam a ficar nas laterais olhando enquanto a história acontece.

Ou seja, ano que vem, tamo junto pra quinta temporada.

Rumo ao Globo de Ouro: mais filmes e apostas!

E chegou o prêmio mais divertido de Hollywood: o Globo de Ouro! Divertido porque engloba cinema e TV, além de ser basicamente uma festa em que servem bebidas aos indicados a noite toda, resultando pelo menos um discurso bêbado.

Eu e Daniel, meu fiel companheiro, conseguimos riscar mais cinco filmes da lista na nossa maratona Temporada de Premiações. São eles:

Tom Hanks

Capitão Phillips

Deveria ter dado um voto de confiança a Paul Greengrass antes – ele conquistou esse direito com A identidade Bourne e, até onde sei, não perdeu ainda. É dele o grande mérito de Capitão Phillips, já que não perdeu o jeito para criar um senso de urgência sem igual no espectador. Tom Hanks faz a melhor performance da sua carreira nos últimos 10 anos em uma história em que todo mundo já sabia o final. Ainda assim, foi a maior surpresa da temporada até agora – gostei dos que já imaginava que ia gostar e não me surpreendi de verdade com aqueles dos quais não esperava grandes coisas.

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Álbum de Família

Brigas, traições e bastante roupa suja. Todo mundo reconhece os personagens desse que é apenas o segundo longa do diretor John Weels. Adaptado de uma peça de teatro, o filme acompanha uma crise na família Weston – três irmãs que não se vêem há muito tempo, primos com segredos, uma Meryl Streep dopada de remédios e um pai desaparecido. Seus dois grandes trunfos são um texto super bem escrito – lembrando mesmo teatro – e atores bem entrosados entre si e com seus papeis. Julia Roberts dá uma das melhores atuações de sua carreira, Ewan McGregor é sempre uma boa notícia, Chris Cooper sendo o incrível de sempre, Juliette Lewis e Dermot Mulroney abraçando sua excentricidade e Benedict Cumberbatch aparentemente entrou só pra mostrar que sabe fazer de tudo em 2013. É quando esses personagens colocam tudo pra fora que fica clara a dimensão dessa história, cujos personagens você sente já conhecer após duas horas.

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Ela

Spike Jonze bebeu um pouco na água de Sofia Coppola, Charlie Kaufman e Michel Gondry para criar a própria voz – o que, nas atuais circunstâncias é muito bem vindo. Joaquin Phoenix parece determinado em cair nas mãos de bons diretores e, após uma performance incrível (a melhor do ano passado) em O Mestre, o ator voltou com mais um personagem contundente ao lado de uma Scarlett Johansson em uma de suas mais respeitáveis aparições (apesar de que não aparece, de fato). Ela é uma deliciosa crônica sobre o amor moderno, a solidão e as conexões que fazemos na vida. É pra ser futurista, mas dá imaginar um futuro não muito diferente. Em muitos casos, já estamos lá.

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O Lobo de Wall Street

Corremos pra ver na pré-estreia, e Martin Scorsese não nos decepcionou (aliás, não me lembro se isso já aconteceu alguma vez). Seu novo filme parece ser uma declaração, uma afirmação de que sim, tio Marty ainda tem muito jogo de cintura, é o maior e melhor diretor vivo e passa por cima de todos os outros filmes como um rolo compressor. Divertido ao extremo, O lobo de Wall Street dividiu opiniões ao desfilar nada menos que 522 variações da palavra “fuck“. Tudo isso para recriar o mundo de Jordan Belfort, que enriqueceu às custas das ações alheias, de verdade. É o tipo de personagem prato cheio para Scorsese: viciado em drogas e sexo e rodeado por um grupo de doidões inconsequentes,  Leonardo DiCaprio fez um Belfort marcante, olhando no olho do espectador enquanto desafia todas as noções de bom senso e ética com extravagâncias, discursos que lembram as mais fervorosas seitas religiosas e formas nada ortodoxas de consumir suas drogas favoritas. Esse é um diretor que faz milagres e coloca até Jonah Hill pra atuar bem. Vale cada minuto de suas três horas de duração, graças ao ritmo perfeito da edição sempre competente de Thelma Schoonmaker.

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A grande beleza

Como sabia que não teria tempo hábil para ver todos os estrangeiros, optei pelo que vem surpreendendo positivamente muita gente. E não me decepcionei. O filme italiano acompanha o jornalista e escritor Jep Gambardella ao se deparar com a finitude da vida após seu aniversário de 65 anos. Ele passa a refletir sobre vida, morte, amor e fé na medida em que continua vivendo como sempre viveu: em festas animadíssimas, bebendo uísque e dormindo nos braços de belas mulheres. Mas A grande beleza é mais que isso, mostrando com a calma e sutileza que só os europeus conseguem ter o que realmente vale a pena quando se chega a um estágio da vida em que há mais perdas que ganhos. O resultado inevitável é o questionamento que fica: e o que vale a pena hoje? Tudo isso com lindas tomadas de uma Roma que pouco se vê no cinema. Com uma dose extra de leveza, A grande beleza poderia ser o filme que Woody Allen para a cidade.

E, após assistir boa parte dos principais concorrentes, eis os meus favoritos (os que mais gostei, e não os que têm mais chances) para as principais categorias do Globo de Ouro neste domingo:

Melhor filme drama: Gravidade;

Melhor filme musical ou comédia: O lobo de Wall Street;

Ator em filme de drama: Tom Hanks (Capitão Phillips);

Atriz em filme de drama: Cate Blanchett (Blue Jasmine);

Ator em musical ou comédia: Leonardo DiCaprio (O lobo de Wall Street);

Atriz em musical ou comédia: Meryl Streep (Álbum de família);

Ator coadjuvante: Michael Fassbender (12 anos de escravidão);

Atriz coadjuvante: Julia Roberts (Álbum de família);

Diretor: Alfonso Cuarón (Gravidade);

Roteiro: Spike Jonze (Ela);

Animação: Frozen;

Série de drama: Breaking Bad

Série de comédia: Parks and Recreation

Ator em série de drama: Bryan Cranston (Breaking Bad);

Atriz em série de drama: não assisto nenhuma das indicadas;

Ator em série de comédia: só assisto Jim Parsons, em The Big Bang Theory, e não acho que ele deva ganhar;

Ator coadjuvante em série: Aaron Paul – nem preciso ver os outros;

Atriz coadjuvante em série: só assisto Sofia Vergara em Modern Family, mas acho que já deu.

E a watchlist ficou assim:

12 years a slave
Dallas Buyers Club
Capitão Phillips (Captain Phillips)
All is Lost
Rush: No limite da emoção (Rush)
Philomena
Trapaça (American Hustle)
Ela (Her)
Inside Llewyn Davis – Balada de um homem comum (Inside Llewyn Davis)
Nebraska
O lobo de Wall Street (Wolf of Wall Street)
Mandela: Long Walk to Freedom
Walt nos Bastidores de Mary Poppins (Saving Mr. Banks)
Refém da Paixão (Labor Day)
Álbum de Família (August: Osage County)
Frozen – Uma aventura congelante (Frozen)
Os croods
Círculo de Fogo
Oblivion
Azul é a cor mais quente (La vie d’Adèle)

E que vençam os melhores. Bom Globo de Ouro pra você que, como eu, vai acompanhar tudo do sofá de casa!

Melhores de 2013

Sei que 2013 acabou há dias e todo mundo já postou suas super listas de melhores do ano. Mas foi lendo o que mais encantou todo mundo que eu comecei a revisitar os discos lançados, os filmes assistidos, os livros lidos… E cheguei à conclusão de que:

  • Não é pra ser do contra, mas eu não ouvi metade do que o pessoal gostou tanto; e não entendi o afobamento com boa parte da outra metade;
  • 2013 não foi um ano tão ruim assim.

Na TV:

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Mad Men continuou surpreendendo, anos depois. Breaking Bad foi o espetáculo de sempre, só que mais. Bem mais, e teve o hype tão merecido. E Amy Poehler continuou fazendo de Parks and Recreation uma das séries mais brilhantes da televisão.

No cinema: 

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Universidade Monstro me fez rir alto e lembrar da infância. Blue Jasmine marcou o retorno de Woody Allen à boa forma. Frances Ha me possibilitou matar a saudade do universo de Noah Baumbach, cheio de personagens incríveis e apaixonantes. À procura do amor me lembrou porque Nicole Holofcener é uma das vozes mais interessantes no cinema hoje. Tabu me encheu os olhos de uma beleza sofrida. Indomável Sonhadora me fez chorar com uma história sobre ter de amadurecer muito além dos seus anos. Gravidade me tirou o fôlego. Os Suspeitos me surpreendeu em uma sessão em plena meia-noite na qual mal conseguia piscar.

Na música:

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Vi shows épicos. Gilberto Gil, Jorge Drexler, John Mayer, Ben Harper e Charlie Musselwhite, Os Novos Baianos, Caetano Veloso, Almir Sater, Vitor Ramil, Esperanza Spalding.

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E ouvi discos ótimos, que me fizeram voltar a eles inúmeras vezes: Wise Up Ghost, de Elvis Costello e The Roots; AM, do Arctic Monkeys; Right Thoughts, Right Words, Right Action, do Franz Ferdinand; Antes que tu conte outra, do Apanhador Só; Disco, do Arnaldo Antunes; Amok, do Atoms for Peace; New, do Paul McCartney; Dream River, do Bill Calahan; Tooth and Nail, do Billy Bragg; Rhythym & Blues, do Buddy Guy; Serviço, do Castello Branco; Victim of Love, do Charles Bradley; The Next Day, do David Bowie; Trio, do Hamilton de Holanda; From Here to Now to You, do Jack Johnson; Momentum, do Jamie Collum; Paradise Valley, do John Mayer; Once I was an eagle, da Laura Marling; Where does this door go, do Mayer Hawthorne; Esboços, do Pedro Verissimo; … Like Clockwork, Queens of the Stone Age; Trouble will find me, do The National; Where you stand, do Travis.

Na literatura:

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Dos livros lançados em 2013, gostei bastante de “Uma mulher chamada guitarra: crônicas escolhidas de Vinicius de Moraes” (que ganhei do Daniel e foi parar no Eu te dedico), “Os últimos quartetos de Beethoven e outros contos”, de Luis Fernando Verissimo… e só.

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No entanto, li outros tantos memoráveis lançados antes: “Mãos de cavalo”, de Daniel Galera; “Big Jato”, de Xico Sá; “Terra sonâmbula”, de Mia Couto; “Sobre meninos e lobos”, de Dennis Lehane; trilogia Millennium, de Stieg Larsson. Foi um ano de muitas leituras, certamente mais que em 2012, e encontros memoráveis: abracei Xico, Galera, Mia, entre outros. Que venha a Flip 2014.

Assista Treme

Dizem que se conselho fosse bom, ninguém dava. Mas eu faço parte do pequeno grupo de pessoas que assistem Treme, produção da HBO cuja última temporada estreia hoje. E se há algo que esses espectadores têm em comum é recomendar a série pra todo mundo que conhece.

Guardians of the Flame emerge from Poke's Tavern to start St. Joseph's Night

Porque Treme é diferente de tudo que você já viu. Ao ter a New Orleans devastada pelo Katrina como cenário – bem longe do eixo Los Angeles-Nova York – David Simon conseguiu criar uma história rica cujo real valor não está no figurino, na maquiagem ou nos efeitos: está nas pessoas, nos diálogos e suas histórias.

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Acho que foi o Wendell Pierce, que interpreta o inesquecível Antoine Batiste na série, quem disse que Treme é um documentário ficcional. Essa é a melhor definição para essa experiência sem par na TV. Produto de toda uma geração de Sopranos, Braking Bads, Mad Mens e, antes disso, The Wires (também de Simon, da qual já falei aqui), Treme segue personagens que tentam sobreviver em New Orleans após a passagem do furacão pela cidade e o estrago que ele deixou.

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São famílias em busca de seus desaparecidos, advogados, policiais, políticos e construtoras em busca de uma fatia do bolo da reconstrução. Mas mais que isso, esse é um drama sobre um DJ de rádio meio maluco, a chef de cozinha que vê o restaurante quase vazio todas as noites, a proprietária que tenta fazer seu bar voltar a ser o que era antes, descendentes das tribos nativas que querem embelezar o Mardi Gras quase morto, os músicos de rua e das melhores casas de jazz e blues que vêem os shows e as gorjetas cada vez mais raramente. Ou seja: é sobre as pessoas que ajudam a construir o patrimônio cultural, histórico e gastronômico pelo qual a cidade é mundialmente famosa.

Diálogos afiados, personagens multifacetados, participações especialíssimas e uma trilha sonora sensacional fazem de Treme uma série imperdível para quem gosta de música, mas principalmente para os que curtem boas histórias. David Simon já havia provado ser um mestre em contá-las em The Wire, e voltou dessa vez menos técnico e com mais coração. A série tem o nome de um dos mais representativos bairros de New Orleans porque busca, sempre que possível, povoá-la de personagens reais e verdadeiras lendas vivas da cidade.

Kermit Ruffins (centro) é um dos muitos personagens reais de Treme: churrasqueiro e músico faz parte de um elenco super competente.

Kermit Ruffins (centro) é um dos muitos personagens reais de Treme: churrasqueiro e músico faz parte de um elenco super competente.

Esse trabalho impecável de pesquisa faz qualquer um se apaixonar por aquele lugar, por sua música e tradições. Fui do piloto direto para ouvir a trilha sonora inteira, para as receitas de pratos típicos, para sonhar roteiros de viagens junto ao Daniel, meu parceiro de vida, de aventuras e de séries apaixonantes.

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O inevitável luto de quem se despede de personagens que acompanha há tempos (no meu caso, há meses, mas pra muita gente, desde 2010) já começou. Corra pra ver, antes que termine, ou depois que terminar. E passe adiante.

Leia também: o post do sr. meu namorado, Daniel Corrêa, no Tenho Mais Discos Que Amigos! sobre Treme.