Novo canal no YouTube! :)

JEMT

PARA TUDO

TEM CANAL NOVO NA ÁREA

EEEEEE \o/

Eu e Daniel nos unimos em mais um empreendimento, que é – TCHAN TCHAN TCHAN TCHAN – falar aleatoriedades no YouTube, porque ninguém é de ferro.

Vamos tentar fazer isso uma vez por semana. Isso sendo: falar de livros, filmes, HQs, séries, etc. Sabemos que existem 5676413541646 canais no YouTube que fazem o mesmo, mas nenhum com o nosso jeitinho, a nossa carinha, a nossa perspectiva de quem não só consome cultura aos montes, mas que também trabalha nesse meio. Daniel é escritor e eu sou jornalista, e formamos a Build Up Media, que atende a músicos, estilistas, fotógrafos e outros artistas em geral. Quer dizer: respiramos essa coisa toda, então montamos o “Cultura a Dois”.

Ou seja: vem com a gente, que vai ser legal, vai ser divertido.

Anúncios

Entrevista: Young The Giant

youngthegiant

Ainda nessa onda de Lollapalooza, vim compartilhar com vocês uma outra entrevista bem legal que tive a oportunidade de fazer. Dessa vez, com o Eric Cannata, guitarrista do Young The Giant, uma das bandas que vão se apresentar no festival.

Conversamos um pouco sobre seu último lançamento, o disco “Mind Over Matter”, as expectativas para o Lolla e um já possível terceiro álbum.

Leia AQUI, no Tenho Mais Discos Que Amigos.

Entrevista: Far From Alaska

far-from-alaska

O Lollapalooza está chegando, e com ele um monte de bandas legais. Em sua maioria gringas, mas as brasileiras também são atrações aguardadas do festival. Maior prova disso é o Far From Alaska, que eu tive a oportunidade de entrevistar para o site Música Pavê.

A tecladista Cris Botarelli falou do Lolla, do momento que a banda vive e planos futuros. Você pode ler AQUI.

Sebos

IMG_6729
Não sou uma grande frequentadora de sebos. Tenho um relacionamento olfativo com livros que talvez nenhum desses portais de nostalgia pudesse me proporcionar. Gosto de folhear as páginas intocadas, sentir o cheirinho da impressão, manusear uma lombada virgem. Frescura, eu sei.
Sempre associei sebos com abandono, eu mesma incapaz de bater à porta de um deles para me desfazer de um CD antigo, um livro que não vou ler mais, um DVD presenteado por engano. Sou apegada demais a antigas memórias, e quando me desfaço de algum desses objetos, é para passar adiante – para um amigo, um primo, alguém que estará próximo o suficiente para eu fazer uma visitinha, se bater a saudade.
Por outro lado, sempre me fascinou a quantidade de histórias que habita um sebo. Não falo só dos livros nas prateleiras, mas nos amores feitos e desfeitos com um Carlos Drummond de Andrade, um Graciliano Ramos, um Erico Verissimo como testemunha, em edições já há muito sem o cheirinho da impressão…
Mas hoje eu fui num sebo. Daniel, o meu menino, os adora. Se encanta pelos preços baratos nas capas surradas e pelas raridades que foram se esconder ali. Em quase todas as cidades que visitamos, ele entra, olha cada banca de promoção, pergunta sobre um ou outro escritor e sai levando muito menos do que gostaria. Passeio pelas coleções de vinil, reconheço algum disco do Roberto ou de Tião Carreiro e Pardinho que tenha passado pela vitrola lá de casa, e sigo adiante. Não me atenho a nada com que não possa construir o meu próprio histórico olfativo.
Mas um dia desses, entre Playboys da Claudia Ohana e livros de auto-ajuda, me dei de cara com a minha história: um CD dos Backstreet Boys e, logo adiante, uma prateleira inteira dedicada à Coleção Vagalume. Claro que eu já tinha visto em outras lojas do tipo resquícios da minha geração ou livros e discos que tiveram algum significado pra mim. Mas a minha infância e adolescência nunca tinham sido tão bem representadas em um sebo como naquele dia em Divinópolis. Parei pra pensar no tempo que faz quando tentava aprender com minhas amigas as coreografias de “Everybody” e “As long as you love me”, e me dei conta de que faz tempo demais – suficiente para ganhar espaço num sebo. Parece uma vida atrás, e de fato é. Eu era outra aos 12, com outros anseios e ansiedades, e com uma bagagem musical consideravelmente menor do que a ainda modesta que tenho hoje.
Ali, vendo aquela capa do Black & Blue, todas as tardes garimpando bancas de jornal atrás de pôsteres e noites esperando clipes na MTV voltaram à memória. O mesmo aconteceu ao passar os dedos pelas finas lombadas da Coleção Vagalume, esperando recuperar pelo menos um pouquinho das histórias do Marcos Rey que tanto me encantaram. Lembrei da Zezé, mãe da minha amiga Karol, que me emprestou meu primeiro Vagalume, “O escaravelho do diabo”, e tive saudade delas e dessa época em que tudo era mais fácil.
Pela primeira vez em muito tempo, tive vontade de comprar livros em um sebo, já que nunca tive nenhum exemplar da coleção. Mas acabei deixando para trás, junto com o CD dos Backstreet Boys – esse ainda seguro na minha coleção, exibida com orgulho na estante de casa.

Mais amor para Paulinho da Viola, por favor

Todo mundo que gosta de música tem uma listinha de shows que quer ver na vida, artistas que gostaria de assistir ao vivo e guardar pra sempre aquela memória. Paulinho da Viola estava na minha desde que assisti ao documentário “Meu tempo é hoje” (disponível na íntegra abaixo – obrigada, YouTube) e me encantei pela beleza e simplicidade da música do moço do cavaquinho.

Logo eu, que não gostava de samba. Isso foi na época em que eu era uma adolescente que achava chato tudo que era “velho”, apesar de viver com uma farta pilha de LPs em casa, de Amado Batista e Tonico e Tinoco a Nirvana e New Kids on the Block. Precisei começar a trabalhar com assessoria de imprensa do Taruíra, um grupo de choro, para entrar de cabeça na música brasileira e descobrir verdadeiras preciosidades – entre elas o samba.

Ouvi um pouquinho de Cartola, Martinho, Noel, Zeca. Me encantei pela simplicidade e pelo ritual dessa música: o ritmo, a cadência, a melodia que cresce na primeira estrofe para explodir no coro, quase sempre narrando o cotidiano. Era uma crônica cantada.

E Paulinho é o maior dos cronistas, pra mim. Cantando seus amores pelo pagode na casa do Vavá, pelo feijão da Vicentina, pelo rio que passou pela vida.

Foi realizando o sonho de vê-lo ao vivo, no último domingo no Festival Sesc Rio de Inverno, que me perguntei: por que raios Paulinho da Viola não tem mais moral nessa vida? O teatro mecanizado do Sesc Quitandinha estava lotado, com seus 1.100 ingressos esgotados em um público de todas as idades (com predominância da terceira, é verdade). E todo mundo cantou junto Timoneiro, Nervos de Aço, Pecado Capital, Sinal Fechado, Foi um rio que passou em minha vida, Coração leviano, Eu canto samba, Argumento. Ele saiu ovacionado, claramente a contragosto do público, que queria mais mesmo após o desfile de sucessos que foi apresentado ali.

A música brasileira tem um panteão onde coloca os seus principais gênios, aqueles contemporâneos de Paulinho que ganharam festivais, compuseram canções inesquecíveis e introduziram a guitarra elétrica à nossa bossa nova purista. Ponto pra eles e pra gente, que tem até hoje um Chico, um Gil, um Caetano, uma Gal, uma Betânia pra nortearem o que é referência em música no Brasil. Mesmo quem não gosta do trabalho deles teria dificuldade em questionar sua importância para moldar o que viria depois e que até hoje se mostra relevante.

Na minha humilde opinião, Paulinho pertence a esse time titular. Ele pode não ter revolucionado o samba incorporando instrumentos, mas criou canções igualmente grandiosas. Talvez seja o status de marginalizado do ritmo que o tenha deixado de fora desse altar, mas não importa. Ainda bem que Paulinho da Viola canta samba, porque assim a gente se sente contente.

Katy Perry, adolescentes e auto-estima

katy-perry-2013

Essa semana tem mais um vídeo ótimo do John Oliver viralizando nas interwebs, o que reafirma seu status de atual queridinho dos late night shows. Faz sentido, porque frequentemente ele acerta em cheio no seu discurso, muito bem escrito e entregue com aquele seu sotaque britânico falando mal da Fifa e de armas nucleares, ou seja, nada pode ser mais legal que isso.

No caso do novo vídeo, é uma análise sobre como conteúdo pago em jornais impressos tem passado como notícia e como isso é perigoso. Para ilustrar o quanto algo que parece inofensivo pode, na verdade, ser nocivo, ele cita como exemplo uma música da Katy Perry, a única que você gosta. Você sabe que é o mais perto que vai chegar de curtir algo da Katy Perry, mas ao mesmo tempo parece errado estar ouvindo aquilo. E, após cantar um trechinho de “Roar”, ele diz que gosta da música por ela fortalecer a garota de 12 anos que há dentro dele.

John Oliver não está errado. Meninas adolescentes são provavelmente o grosso do público da Katy, pois elas parecem se encaixar no perfil de fãs de cantoras pop de estilo similar, como Rihanna, Lady Gaga, Britney Spears, etc, fruto de uma padronização do próprio mercado de música regido pelo autotune e coreografias parecidas em que essas cantoras são vendidas quase que como um pacotão. Faz total sentido.

Mas, esticando um pouquinho o argumento do John Oliver, parece haver uma depreciação desse tipo de música – talvez pelos motivos que citei acima ou porque, bem, ninguém é obrigado a ouvir aquilo de que não gosta (outro ponto que já defendi aqui). Mas quando você passa a rotular alguma coisa como “música de menininha”, é claramente feito um juízo de valor em que essas canções são menores, bobinhas, menos importantes, esquecíveis. E na maioria das vezes, podem até ser, sim. Mas o que para muitos pode parecer um “pop auto-ajuda”, pra outros pode ter um significado que a gente não consegue compreender.

Na minha época, ser menina e adolescente não era mil maravilhas, não. Isso não faz tanto tempo assim, mas posso arriscar dizer que nunca foi fácil, porque é nessa idade que começam a esperar certas coisas de você. Uns séculos atrás, era que você menstruasse logo, para casar e parir, além de cumprir todos os seus deveres enquanto mulher, o que se resumia a bordar e não dar muita opinião por aí. E então o mundo descobriu a palavra igualdade e de uns tempos pra cá vem tentando equilibrar as coisas, ainda que nem sempre dê certo.

O que não significa que ser mulher hoje não venha com um pacote de exigências. E é justamente quando você deixa de ser criança que as expectativas dos seus pais, da família em geral e da sociedade como um todo começam a ficar claras: sente-se assim, vista-se assado, não pode falar desse jeito. Some-se a isso um turbilhão de hormônios e dá pra entender porque muitas meninas se sentem ansiosas, pressionadas ou mesmo desajustadas porque não atendem a um dos pré-requisitos da Lista Para Agradar a Sociedade.

E é aí que entra uma Katy Perry te dizendo que você tem valor, que você pode brilhar como fogos de artifício, que é uma campeã, uma tigresa, uma lutadora e que ainda vão te ouvir rugir. Não dá um boost na auto-estima? Parece besteira, mas um dos maiores poderes da música é falar com quem está disposto a ouvir. Nem sempre o recado vale pra você, mas quando a carapuça serve, parece que alguém finalmente está te ouvindo. Em um momento difícil, pode ser o apoio que muitas vezes não vem de quem se espera.

Acontece que, mais que ser auto-ajuda, essas músicas estão falando com as adolescentes de hoje que elas são únicas e fortes, e que elas não podem deixar que ninguém diga o contrário. Em um mundo em que todo dia inventam uma nova forma de expor pessoas ao ridículo para sofrerem bullying na internet e em que uma boa porcentagem dos livros voltados pra esse público prega o como-conhecer-o-príncipe-encantado ou como-arrumar-um-marido, é muito importante que alguém diga para essas meninas que elas são muito mais do que a sociedade em geral – incluindo outras tantas mulheres – diz que elas são. Mais que marido, mais que sucesso no joguinho da Kim Kardashian.

Pra mim, uma adolescente acima do peso e com acne, presa há 16 anos em uma cidade onde sabia que não deveria estar, foi a Kelly Clarkson quem disse que era possível romper aquelas barreiras, abrir as asas e voar. Esse é o tipo de coisa que ecoou na minha cabeça cinco anos depois, quando eu larguei um emprego estável para finalmente fazer a faculdade dos meus sonhos em outro estado. Hoje, é a Rihanna quem estampa camisetas que dizem “brilhe como um diamante” e que fala para meninas escolherem serem felizes – e só.

O mundo já tem gente demais dizendo tudo o que as garotas não podem ou não conseguem fazer. Não que Katy Perry e Rihanna não reforcem um bando de estereótipos femininos (isso é assunto pra outro post), mas alguém precisa falar pra elas que está tudo bem ser diferente e desafiar essas regras. E nesse sentido, essas músicas são muito maiores do que você imagina. E falam mais alto do que o rugido de um leão.

Carole King – Tapestry (1971)

Carole_King_-_Tapestry

Sempre fui com a cara da Carole King pela abertura de Gilmore Girls, mas só parei para ouvir mesmo quando me deparei com “Tapestry” no livro “1001 discos para ouvir antes de morrer”, uma lista infinita que até hoje tento terminar. Revisitando alguns dos meus favoritos descobertos no livro, reouvi o disco e me apaixonei novamente por ele. Pela doçura, pela tristeza, pelo sentimento que ele traz.

E apesar do sucesso comercial e de crítica, parece que esse foi um dos álbuns deixados para trás com o passar das décadas. Uma pena, porque ele merece estar ao lado das maiores obras da Dusty, da Aretha, da Janis, da Nina, da Joni, da Patti, da Diana e de todas essas grandes vozes femininas.