Vídeo novo: Lolita

E tem vídeo novo no canal do YouTube! Eu e Daniel mostramos nossas visões um pouco diferentes sobre “Lolita”, o livro do Nabokov e o filme do Kubrick. Discutimos o ritmo da história e se é possível gostar de um personagem tão chato, bobo e feio sincero quanto a seus defeitos.

Ah, e aproveitamos pra indicar uma série e um livro para quem gostou da temática de “Lolita”. Clica no play, vai?

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Novo canal no YouTube! :)

JEMT

PARA TUDO

TEM CANAL NOVO NA ÁREA

EEEEEE \o/

Eu e Daniel nos unimos em mais um empreendimento, que é – TCHAN TCHAN TCHAN TCHAN – falar aleatoriedades no YouTube, porque ninguém é de ferro.

Vamos tentar fazer isso uma vez por semana. Isso sendo: falar de livros, filmes, HQs, séries, etc. Sabemos que existem 5676413541646 canais no YouTube que fazem o mesmo, mas nenhum com o nosso jeitinho, a nossa carinha, a nossa perspectiva de quem não só consome cultura aos montes, mas que também trabalha nesse meio. Daniel é escritor e eu sou jornalista, e formamos a Build Up Media, que atende a músicos, estilistas, fotógrafos e outros artistas em geral. Quer dizer: respiramos essa coisa toda, então montamos o “Cultura a Dois”.

Ou seja: vem com a gente, que vai ser legal, vai ser divertido.

Meus favoritos para o Oscar 2015

The 85th Academy Awards® will air live on Oscar® Sunday, February 24, 2013.Hoje é o grande dia da temporada de premiações no cinema, e um momento que eu curto bastante, como vocês devem ter percebido aqui no blog. Tento assistir o maior número possível de indicados, supostamente a melhor safra de filmes do ano. Geralmente, descubro pequenas preciosidades que normalmente não me chamariam atenção, mas também me deparo com um monte de filmes que me fazem pensar em vários outros que deveriam estar entre os selecionados.

Esse ano foi melhor do que o anterior, na minha opinião. Em 2014, disputavam filmes que não só todo mundo amava, mas dos quais eu não gostei nem um pouco. 2015 já trouxe várias histórias melhores, filmes mais desenvolvidos, personagens mais complexos.

The Grand Budapest Hotel - 64th Berlin Film Festival

Entre os indicados a Melhor Filme, assisti todos. Minha torcida fica com O Grande Hotel Budapeste e Whiplash, apesar de saber que não têm grandes chances contra Boyhood ou Birdman. Budapeste me encantou pela história, pela fotografia e pela direção de um cara que tem tudo pra se repetir e conseguiu fazer um filme que deu um passo adiante em relação a tudo que tinha feito (mesmo com o diretor de fotografia de sempre e um elenco de cartas marcadas na sua filmografia). Whiplash foi uma aula de como contar uma história com ritmo e desenvolvimento de personagens na medida certa, tudo isso vindo de um diretor praticamente estreante. Foi um feito. Gostei de Birdman, mas tive alguns problemas com o final do filme. Já de Boyhood não gostei nem um pouco. Patricia Arquette e Ethan Hawke salvam um filme que não conseguiu me empolgar mesmo.

ateoriadetudo

Gostei de O jogo da imitação e A teoria de tudo, que são filmes com boas histórias (e verdadeiras, inclusive), mas que pareciam o tempo todo desenvolvidos para uma futura indicação ao Oscar. Foram cinebiografias de personagens um tanto quanto polêmicos em alguns sentidos e que não pareciam dispostas a ir um pouco além – a não ser nas atuações, que estão realmente boas.

sniperamericano

De Sniper Americano, não gostei. Não curti o ritmo, o discurso de patriotismo forçado, as atuações. Foi o filme que me fez pensar em quantos outros poderiam ocupar essa vaga, não fossem detalhes como influência e dinheiro para fazer uma campanha junto aos membros da Academia.

selma

A surpresa da temporada ficou por conta de Selma, que superou em muito 12 anos de escravidão e O mordomo da Casa Branca, para citar apenas as últimas tentativas de contar a história da luta racial nos Estados Unidos. Selma conseguiu tocar muito mais na ferida por se importar mais com a história a ser contada do que com o objetivo de chocar e apontar dedos. David Oyelowo está excelente como Martin Luther King Jr.

Nas outras categorias, gostei bastante de Garota Exemplar, Relatos Selvagens, O conto da Princesa Kaguya, Como treinar seu dragão 2, Operação Big Hero, O Abutre (na minha opinião, o grande injustiçado por não aparecer nas categorias principais), Capitão América 2, X-Men: Dias de um futuro esquecido, Guardiões da Galáxia. E esses foram apenas os que assisti e gostei. Há opções para todos os gostos e filmes que se destacaram por fugirem ao lugar comum e divertir, entreter e emocionar. As indicações podem até estar dominadas por homens brancos, mas essa diversidade de histórias e visões de mundo já serve de incentivo para embarcarmos em viagens que não embarcaríamos normalmente. E acredite: muitas delas valem a pena.

Menos é mais

Domingo é dia de preguiça e o único na semana em que estamos conseguindo parar de trabalhar aqui no home office dos Pandeló Corrêa. Esse foi mais especial, porque 1) consegui terminar dois livros para desafogar a pilha que me aguarda:

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e 2) eu e Daniel completamos mais um mês juntos e decidimos comemorar com pizza e filme em casa.

Eu tenho um sistema: para manter as leituras da vez sempre fluindo, leio dois livros ao mesmo tempo. Um é romance ou não-ficção (livros de jornalismo, biografias, etc. e tal). O outro é sempre uma coletânea de contos ou crônicas. A ideia é simples: quando não houver tempo para um capítulo de 50 páginas de um Gay Talese da vida, recorro a um texto do Verissimo e fica tudo bem.

Hoje finalizei “Maldita”, do Chuck Palahniuk, e “Nu, de botas”, do Antonio Prata (e já comecei “O jornal e o livro“, de Machado de Assis, e “A varanda do frangipani”, do Mia Couto). O primeiro foi a continuação da história cada vez mais épica da Madison Spencer, a adolescente gorducha que morreu e foi para o inferno. Apesar de alguns momentos de tédio, Chuck conseguiu levar a história em outro nível, tanto com os acontecimentos ao longo da trama quanto no trabalho em desenvolver os personagens. Valeu como continuação da trilogia.

Aproveitei para matar as últimas páginas do livro do Antonio Prata, que eu vinha saboreando há algumas semanas, de propósito. Nada mais justo, já que o cara foi uma presença constante na minha adolescência – ele e a Meg Cabot ajudaram a formar o meu caráter, e por isso eu ainda quero dar um abraço nos dois. De preferência, ao mesmo tempo.

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Eu e “Nu, de botas” tivemos uma longa paquera antes de nos rendermos ao compromisso. Ando numa de não arriscar muito no quesito livros simplesmente porque eles são caros, e tempo também é. Mas a cada coluna nova do Antonio na Folha que pipocava no meu leitor de RSS, o livro voltava a me chamar. Aproveitei uma promoção na Amazon brazuca e logo o livro passou na frente de vários na categoria crônica/conto aqui na prateleira – inclusive do Verissimo e do Mia Couto, duas entidades muito respeitadas aqui nessa casa.

Em parte, foi por causa da capa (Companhia das Letras tá de parabéns, com capas cada vez mais lindas). A outra parte foi por conta do “vou ler só o primeiro parágrafo pra ver qual é” e acabei ficando. Fui lendo aos pouquinhos, entre um capítulo de “O reino e o poder” e outro, e foi o alívio que eu precisava. Primeiro, porque era um contraponto à toda a seriedade da história do New York Times que o Gay Talese conta (e muito bem, diga-se de passagem). E segundo porque foi uma substituição muitíssimo bem vinda após a decepção com “Tipos de perturbação”, da Lydia Davis. Aliás, o que eu penso sobre isso é o seguinte:

 

Aí me apaixonei por “Nu, de botas”, de vez. Sem qualquer pretensão, Antonio Prata conta memórias de infância com um olhar tão cândido, inocente e simples de uma criança que não tem como não rir e se identificar. Ele fala de uma época em que tudo era menos complicado e se brincava na rua, se trocavam bilhetinhos com as paqueras do colégio e eram descobertos os palavrões e o sexo. Com textos curtos e sem enrolação, ele conta do sonho de toda criança, o minibugue; de quando ligou para o programa do Bozo e quase ganhou uma bicicleta; da sua relutância em entender e usar roupas de baixo; e de quando aprendeu seu primeiro palavrão na alfabetização (sim, o do ca-ce-ci-co-cu). O livro é divertido e aquece o coração de quem tem saudades da época em que as maiores preocupações incluíam não perder o horário dos programas favoritos na TV e não errar a mira na hora de fazer xixi.

É essa mesma simplicidade que me encantou em “Mesmo se nada der certo”, novo filme do John Carney (o mesmo cara que nos deu “Apenas uma vez”). Não me empolguei de cara porque o trailer deu a entender que haveria vários elementos em comum com o filme anterior – e de fato tem – mas isso em momento algum tira a personalidade dessa nova história. Assim como no longa que se passa na Irlanda, esse novo tem na música uma grande aliada, mas traz também personagens cativantes e tão reais que parecem fazer parte da paisagem de Nova York. Keira Knightley e Mark Ruffalo andam pelas ruas conversando e ouvindo música em meio a pessoas que parecem fazer parte do dia-a-dia da cidade e falam sobre relacionamentos, paternidade e música, claro, em diálogos que fluem tão bem quanto a trilha.

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Se é que Carney estava tentando fazer um novo “Apenas uma vez”, ele falhou. Um dos motivos é que dessa vez ele não conseguiu a crueza que só um Glen Hansard cantando a plenos pulmões na rua com um violão furado consegue. Todas as músicas são tão certinhas e bem produzidas que não dá pra acreditar quando eles fingem cantar de verdade, num modo quase de videoclipe – exceto quando tem um Adam Levine (do Maroon 5) no palco, por exemplo. Mas todo o resto parece ser feito de forma tão espontânea que dá muito certo, tanto nas cenas com os atores, quanto nas que têm músicos atuando (além de Adam, estão em cena Mos Def e Cee Lo Green). Claro que dessa vez Carney conseguiu bem mais dinheiro do que o modesto orçamento do seu filme anterior, mas essas maiores possibilidades técnicas não tiraram sequer a carinha de “independente” que o filme tem, sua crueza e simplicidade, e nem mesmo a personalidade, que tem toda a linguagem que o diretor já está conseguindo construir.

Se há alguma coisa que “Nu, de botas” e “Mesmo se nada der certo” têm em comum é a naturalidade com que tratam dos seus temas. No caso do livro de Antonio Prata, é o frescor do  olhar de uma criança, na linguagem que um menino de 5 anos utilizaria. Já no filme de John Carney, é usando a música como personagem que a história se desenvolve, abrindo caminho para um bate-papo sobre o papel que ela ocupa nas nossas vidas e nossos próprios papeis enquanto parceiros, colegas de trabalho e pais, além de falar sobre o quão difícil pode ser trilhar o próprio caminho.

Esses provavelmente não serão o melhor filme ou melhor livro que você leria esse ano, mas não precisam ser. É essa simplicidade e essa despretensão que fazem histórias como essas parecerem tão reais e falarem com a gente. E esse é meio que o objetivo da coisa toda.

Dois curtas de Spike Jonze para se apaixonar

Spike Jonze

Spike Jonze é um diretor apaixonante. Ao longo de sua carreira, ele conquistou o público com “Quero ser John Malkovich”, “Adaptação” e “Onde vivem os monstros”. Ou seja, todos filmes pouco convencionais sobre pessoas bastante convencionais, como eu ou você. Spike gosta de brincar com essas esquisitices para contar histórias de relações humanas, e não poderia ser diferente nos seus curtas.

Indico abaixo dois que valem o play:

To die by your side

Essa parceria com o diretor Simon Kahn e a designer Olympia Le-Tan, conhecida por seus bordados em capas de livros, ganhou a forma de uma animação em stop motion que mostra o que acontece nas prateleiras de uma livraria quando as luzes se apagam. É claro que os exemplares ganham vida, e tudo fica ainda mais especial quando acontece na Shakespeare & Co., livraria charmosinha em Paris e que está na lista dos sonhos de 11 em cada 10 leitores do mundo.

I’m here

Sheldon (Andrew Garfield) é um robô, em um mundo em que os homens e as máquinas inteligentes convivem em paz. Por mais legal que isso possa parecer, Sheldon não é feliz e vive sozinho. Isso muda quando ele conhece Francesca (Sienna Guillory), uma robozinha que o vai apresentar a todo um novo mundo que vai muito além da biblioteca pública onde ele trabalha. Esse é um filme bancado pela Absolut – sim, a marca de vodkas -, mas o que poderia ser uma desculpa para product placement e um longuíssimo comercial é muito mais do que isso: é uma história de amor.

Entre o genial e o medíocre

Estava fazendo algo que, na maior parte do tempo, evito fazer: ler crítica de cinema. Por mais que eu mesma me aventure nessa de escrever sobre filmes no Cinema de Buteco, já cheguei em um ponto da minha vida de cinéfila em que 1) tenho tempo para poucos filmes e 2) costumo saber (e acertar) os que vão mais me agradar. Prefiro dar a cara a tapa e, não raro, a minha opinião é a que eu já previa e que pouco tem a ver com a dos Críticos de Cinema, esses seres iluminados que guiam o mundo em direção a um monte de filme pretensioso grandes obras de arte.

Mas era uma crítica do New York Times sobre um filme que estou esperando há muito tempo, e a curiosidade falou mais alto. Logo no primeiro parágrafo, o sr. Crítico deixa claro que não gostou do longa, mas no decorrer do texto faz pouco dos esforços do diretor não só neste, mas também em seu filme anterior, julgando as duas obras como ‘Woody Allen wannabes’. Claro que esse é um dos problemas mais constantes em muitos filmes atualmente (como é na safra de bandas ‘Los Hermanos wannabe’), mas este foi apenas um dos argumentos que o crítico usou para elencar tudo o que o longa não é. Tudo isso para dizer que, bem, talvez não valha o ingresso (nem precisa falar que vou ver mesmo assim, né?).

Woody_AllenToda essa história me fez lembrar da contradição que a gente vive hoje em dia. Se por um lado o adjetivo “genial” nunca foi tão usado como nos últimos anos, por outro a gente vive uma era em que nada é bom suficiente – nem o que foi “genial”, sei lá, ano passado. Tudo é um copia-e-cola de influências que, quando comparado com o original, fica na metade do caminho. Os filmes copiados do Woody Allen, as bandas filhas de Los Hermanos, os livros com um toque de Graciliano Ramos são assim chamados porque certamente trazem influências do que os precedeu – assim como Woody tentou dar uma de Bergman, por exemplo. É mais ou menos o que eu falei aqui sobre a nova geração de autores brasileiros que são constantemente comparados aos escritores que os inspiraram.

Não acho que devamos nos acostumar à mediocridade, mas acho que a arte tem inúmeras formas de cumprir seu papel, e no fim das contas é isso que importa. Emocionar, entreter e fazer rir não parece ser mais o suficiente – e por isso que todo ano tem um “12 anos de escravidão” concorrendo a Oscares (e levando), ou seja, um filme que tenta demais e abusa de artifícios que parecem artísticos só para não dar a impressão de ser comum ou cotidiano. Porque o legal é dar cinco estrelas para um álbum conceitual, carregar por aí uma cópia de “Ulisses” e comentar no Twitter os dramas mais profundos da TV. Afinal, blockbusters, bestsellers e sitcoms são para as massas. E o que é popular dificilmente será lembrado como arte.

Parece que somos constantemente movidos pelo “genial”. Ou algo é simplesmente incrível, incomparável e responsável por uma verdadeira revolução na música, no cinema, na literatura ou na TV, ou é medíocre porque aspirou a ser grande e não conseguiu. Qual é o nosso problema em aceitar que algo pode ser simplesmente bom, normal, mediano e que não é todo dia que eu vou ao cinema assistir a um filme que vai mudar a minha vida? Comparar um novo álbum à obra do Caetano, por exemplo, é injusto porque automaticamente diminui o que vem depois ao medí-lo com o padrão de algo que há tantos anos ganhou o próprio selinho de “genial”. Mais que isso, pressupõe que só os Caetanos e Gracilianos da vida é que são os bons, deixando de lado a hipótese completamente louca de que, ei, talvez nem todos queiram ser Chicos e Saramagos e Woodys.

Há um mundo de filmes e músicas e livros e séries de TV sendo produzidos todos os dias e a maior parte deles não vai ser legal para você, por motivos que só o seu gosto pessoal e a sua experiência vai explicar (ainda bem – imagina querer assistir O MUNDO e não dar conta?). Mas a boa notícia é que, bem, tem um mundo de filmes e músicas e livros e séries de TV sendo produzidos todos os dias. Ninguém precisa consumir cultura que não gosta (se é que já precisou) porque tem opções para todos os gostos nas mídias convencionais ou nas digitais. Ainda tem muita gente tentando contar boas histórias, e se muitos não chegam ao panteão dos deuses das artes, é porque o altar já está ocupado – muito provavelmente, por aqueles que criaram o altar in the first place. Não deixe que isso te impeça ou mesmo iniba de rir, se assustar ou chorar com a arte que te emociona. Afinal, esse é o papel dela.