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Crescer dói

Quando fiz 27, dei uma olhadela pro passado e pensei no quanto o mundo dá voltas. Cinco anos atrás eu era outra pessoa. Há dez, então, nem se fala. É legal fazer essa reavaliação de vez em quando pra ver o quanto a gente evolui, mesmo quando acha que não saiu do lugar.

O que mais vem me incomodando, no entanto, é o quanto a gente é obrigado a deixar pra trás para seguir adiante. Em tempos de preparativos para o casamento e envio de convites, acabei reatando com amigas que a vida foi deixando pelo caminho, arrumando uma desculpa pra ligar pra alguns amigos com quem a gente esbarra na internet uma vez no ano. Logo aquelas pessoas que fizeram de mim o que sou hoje.

Ninguém nunca me falou que seria assim. O mundo me disse que quando eu crescesse, eu ia poder ganhar meu dinheiro, pagar a minha própria viagem pra Disney e até beber. Mas não me falou de toda a dor que fica pelo caminho. As despedidas, algumas pra nunca mais, sempre vão existir, por mais longe que a gente vá.

Vira e mexe, me pego falando para o Daniel o quanto ele ia amar conhecer a tia Vera. Que o bolinho de chuva dela era o melhor do mundo, que ela ia pegar no pé do Vasco dele, ligar pra dedicar uma música do Daniel, o cantor, pra ele na rádio e que o remédio que ela fazia com certeza teria curado a bronquite dele.

De vez em quando, coloco uma moda de viola pra lembrar do meu avô sanfoneiro e ele já sabe: lá vem história. De quando seu Pandeló ficava tocando na varanda da casa, pra quem passasse pela rua ver; de como ele ia tentar vender pra ele um relógio que barganhou mais cedo em troca de uma galinha caipira na praça da cidade; e que ele também ia pegar no pé do Vascão dele.

A minha avó, que perdemos no ano passado, o Daniel conheceu. Mas sinto que há boa parte de mim que ele só vai conhecer de ouvir contar, que só existiu quando eu tinha esses dois do meu lado. Acho que isso significa que eles vão estar sempre comigo e que essa saudade que dói tanto só mostra o quanto a passagem deles por aqui não foi em vão.

Aí eu vejo meus amigos comprando carro, tendo filhos, marcando casamento e percebo o quanto o tempo continua passando. O quanto eu só vejo recortes das vidas deles, e eles da minha. Quantas vezes a gente diz que vai marcar aquela ida num restaurante novo, aquele filminho, quando na verdade muitas vezes isso não vai passar de boas intenções que vão ser atropeladas por aqueles dias em que o trabalho não dá trégua.

Ninguém me avisou que seria assim. Que crescer não era só poder brincar na rua até tarde, ter namorado e aprender a dirigir. Que era, na verdade, uma longa estrada cheia de curvas, desvios e sem retorno, onde a gente ou decide viajar junto, ou vai sempre buzinar um para o outro, à distância, como quem diz: vamos marcar.

Por aí: sábado no Parque Natural de Petrópolis

Há uns 2 ou 3 anos, Petrópolis ganhou uma grande área protegida no centro da cidade, o Parque Natural. É um espaço pequeno, mas com umas mesinhas para piquenique e duas trilhas de dificuldade baixa a média. Acabou se tornando um dos lugares favoritos para quem quer ter um pouco de tranquilidade em meio à natureza sem precisar ir até a Serra dos Órgãos, por exemplo.

Eu acompanhei a transformação daquele lugar num parque bonito. Primeiro, como jornalista, cheguei a fazer matéria sobre as condições em que viviam os cavalos que ficavam abrigados lá. Eram os animais que puxam as vitórias, ou as tradicionais charretes que ficam estacionadas em frente ao Museu Imperial. A Prefeitura acabou determinando que cada proprietário dos cavalos deveria garantir seu abrigo, e deu continuidade ao projeto de transformação daquela área num parque, algo que ficou parado durante anos.

Na época da inauguração, eu já tinha saído do jornal para a assessoria de comunicação da Prefeitura de Petrópolis, e comecei a trabalhar justamente com a Secretaria de Meio Ambiente. Ou seja: acompanhei desde o abandono completo até cada fase da obra. Hoje, é muito legal visitar aquele espaço e ver o que ele se tornou: um ponto de encontro de familiares e amigos e um lugar de convivência dos petropolitanos com a Mata Atlântica que nos cerca.

Levei o Daniel lá recentemente, pela primeira vez. Gravamos vídeos para o nosso canal do YouTube e ficamos observando uma turma de miquinhos se alimentando nas árvores. Pena que já estava quase na hora de fechar, mas com certeza voltaremos.

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Essa tal liberdade

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Eu não votei na Dilma e não quero o impeachment. Ela foi eleita democraticamente e, apesar de tudo de ruim que esse segundo mandato já está trazendo, acho que ainda não é base para abrir um precedente tão sério quanto esse: três meses depois, mudamos de ideia e queremos outro presidente. Claro que não é bem assim e entendo que o povo já está cansado de se sentir enganado, mas remover alguém do cargo mais importante do país precisa ser muito mais do que uma dança de cadeiras e posições políticas. Só que, independente de como a população se posicione em relação a esse assunto, é nos altos escalões do poder que essa decisão é tomada. Será que são os interesses do povo que vão prevalecer? E não vamos nem começar a falar da linha sucessória, né gente?

Ainda assim, acho importante que o brasileiro insatisfeito mostre nas ruas o seu descontentamento com a atual situação do país. Tá aí mais um motivo pra preservarmos a democracia. O que eu não acho legal nessa história toda é a propagação de discursos de ódio que a gente viu ontem nas redes sociais e na imprensa o dia todo. Cartazes pedindo a morte da Dilma, bonecos enforcados, cachorro e idoso espancados, grupos neonazistas ganhando palanque, discurso sexista e, claro, o bom e velho pedido para a volta da ditadura militar.

A democracia também tem a ver com tudo isso, porque garante liberdade de expressão e esse é um direito que não deve ser violado. O que mais me preocupa é que é justamente nesses momentos de comoção nacional, quando as câmeras de TV colocam os manifestantes como protagonistas, é que pessoas mal intencionadas usam essa exposição como uma oportunidade de disseminar ódio e preconceito. Será que o meu direito de expressar minha opinião não tem nenhum limite – mesmo quando começa o direito do outro de ser respeitado, de não ser discriminado por sexo, raça, religião, ideal?

A gente vive numa era em que não só as pessoas estão mais interessadas e dispostas a discutir política, como fazem isso como uma forma de afirmação pessoal e um statement de quem diz: eu me importo. Normal que esse discurso nem sempre seja o mais bem informado – como dizer que vivemos hoje uma ditadura comunista no Brasil. São coisas que vão além da opinião e afirmam “fatos” a torto e a direito, sejam verdade ou não.

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Mas quando foi que essa oportunidade de trocar ideias sobre o que a gente quer pro Brasil virou uma desculpa para pedir a cabeça de pessoas, por mais falhas que elas sejam? Quando virou cool ter uma fan page defendendo o estupro e o racismo? A sociedade só chegou até aqui porque conseguiu, bem ou mal, criar e cumprir regras de conduta e bom senso que garantem, sim, a liberdade de expressão, desde que demonstrem um mínimo de respeito pelo próximo. Ferir esses princípios dá um baita prejuízo – como está sentindo na pele o Levy Fidélix – e, principalmente, não contribui em nada para o debate que realmente importa: como vamos conseguir o Brasil justo e correto que tanto desejamos? Se a gente aprendesse que também temos grande responsabilidade nisso, talvez acompanhássemos mais de perto o que nossos representantes estão aprontando nas assembleias legislativas, no senado, na presidência, no governo, na prefeitura… e votaríamos de acordo com as mudanças que realmente queremos.

Vídeo novo: Lolita

E tem vídeo novo no canal do YouTube! Eu e Daniel mostramos nossas visões um pouco diferentes sobre “Lolita”, o livro do Nabokov e o filme do Kubrick. Discutimos o ritmo da história e se é possível gostar de um personagem tão chato, bobo e feio sincero quanto a seus defeitos.

Ah, e aproveitamos pra indicar uma série e um livro para quem gostou da temática de “Lolita”. Clica no play, vai?

Domingos

Eu costumava odiar domingos. Aquele peso da segunda-feira que pairava nós era opressor demais, especialmente quando assistir Gugu, Faustão e Silvio Santos perdeu a graça. Passava o dia meio amuada, tentando esquecer que em algumas horas teria aula e provas e trabalhos. Mal sabia o que me aguardava.

Hoje em dia, eu inclusive trabalho aos domingos. Essa coisa de home office combinado com um WhatsApp non stop com os clientes, eu atendo solicitações à noite, final de semana e feriados. É a vida. Mas ainda assim, passei a apreciar os domingos.

Não é todo domingo que eu trabalho. Aliás, eles são exceções. Compromissos sociais geralmente acontecem aos sábados e o máximo de obrigação que tenho nesse dia é ir almoçar na casa da mãe. Isso significa muitas horas para eu gastar como bem entender – um luxo ultimamente. Para escrever no blog, colocar a agenda em dia, ler, ver as séries acumuladas, jogar videogame.

Tenho dormido pouco, mas aos domingos isso não importa. É gostoso acordar cedo, fazer um chá, abrir o jornal no tablet e ler a coluna do Verissimo. É ótima a sensação de ter um dia todo pela frente que, ao invés de me stressar, vai me preparar para acordar feliz e saltitante na segunda-feira, o dia mais pesado aqui na firma.

Esse é um dia em que eu posso ser a pessoa que pretendo ser durante todos os outros dias. Posso fazer uma caminhada (o que nunca faço), guardar minhas coisas no lugar, ousar no almoço com uma receita nova.

Domingos têm um gostinho de nostalgia. Dá saudade até do non sense do Silvio Santos, da comida do Clube Leopoldina (uhmmm farofa) e do frango frito com macarronada e tutu da minha avó, o cardápio perfeito de um domingo lá na casa dos Pandeló. Quando eu olho pra trás e penso ~sabia de nada, inocente~, também penso em como a vida ensina a gente a ter mais calma, mais paciência e menos mimimi. E essa sensação é muito melhor do que sofrer antecipadamente por uma segunda-feira que (vai que) pode ser incrível.

Viva os domingos.