#somostodospedestres

Moro em uma cidade turística e com muitos monumentos – ruas inteiras – tombadas. Essa cidade é Petrópolis, onde um problema comum a tantos outros municípios brasileiros, a frota crescente de carros, se torna um pouco mais grave. Não é possível simplesmente construir um viaduto (isso descaracterizaria a paisagem urbana, que deve ser mantida), e ainda por cima o trânsito usual da cidade se une ao tráfego de ônibus de turismo e às vitórias, carruagens que levam os visitantes às principais atrações: a Catedral de São Pedro de Alcântara, o Museu Imperial, a Casa de Santos Dumont, a Cervejaria Bohemia.

Por morar durante 22 anos em uma cidade sem desculpa alguma para receber turistas, quando me mudei para Petrópolis achei incrível todo aquele movimento de pessoas que queriam conhecer onde eu morava e senti a falta desses visitantes quando eles sumiram daqui após as chuvas de janeiro de 2011. Ainda fico feliz ao ver a cidade cheia de turistas fazendo pose em frente à réplica do 14 Bis como vi ontem.

Mas os petropolitanos estão aqui todos os dias. São eles que fazem a cidade – elegem seus representantes e optam por jogar lixo no chão ou na lixeira, assim como acontece aí onde você mora, embora nem sempre a gente se dê conta de nosso papel de cidadão.

O trânsito é um dos lugares onde ele mais importa, pois afeta diretamente a vida das pessoas à nossa volta. O que nem sempre fica claro é que o trânsito não se resume só a quem dirige – o pedestre é uma parte vital dessa equação, tanto no direito de ter a atenção constante dos motoristas, quanto no sentido de cumprir seu papel de atravessar sempre na faixa e respeitar a sinalização.

E, embora em Petrópolis os motoristas sejam, em sua maioria, bastante educados e pacientes, dá para notar que nem sempre eles levam em consideração quem está do lado de fora do carro, sejam pedestres, ciclistas ou motociclistas. Claro que estou citando apenas o exemplo da minha cidade, mas sei que não se restringe a ela e que o buraco é bem mais embaixo – vai parar na origem do problema, o sistema público de transporte (que, segundo o Globo, não recebe tantos investimentos quanto as montadoras de automóveis).

Foi por isso que ontem vi um motorista em um carro atropelar um jovem em uma moto, jogá-lo longe e fugir da cena em meio a protestos de várias pessoas que presenciaram o acidente. E é por isso que optar por ir a algum lugar a pé requer atenção para não cair nas calçadas com buracos demais e fiscalização de menos – isso quando elas não estão ocupadas por carros estacionados por motoristas que colocam seu conforto em primeiro lugar e a segurança do pedestre em segundo.

Vivemos em uma época em que precisamos passar leis que proíbem ouvir música sem fone em coletivos; em que legislações como a Lei Seca são necessárias para fazer motoristas pensarem duas vezes antes de beber e dirigir; e em que ciclistas ainda precisam batalhar por respeito dos motoristas e implorar por uma reles faixa exclusiva. Claramente, já evoluímos muito ao pensar o trânsito das nossas cidades, mas ainda temos um longo caminho pela frente.

Um bom começo seria lembrar que, antes de motoristas, ciclistas, motociclistas ou skatistas, somos todos pedestres.

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