‘Ice bucket challenge’, marketing pessoal e conscientização

billgates

Se você vive no planeta Terra e tem acesso a internet, já viu por aí o tal ice bucket challenge. Vira e mexe, tem uma celebridade tacando um balde de gelo na cabeça e chamando outros famosos pra entrar na brincadeira. Claro que a brincadeira acaba aí, porque o objetivo da campanha é algo muito mais sério: aumentar a conscientização das pessoas sobre a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), uma doença degenerativa ainda sem cura. De quebra, também quer aumentar as doações para as pesquisas que continuam em busca de uma solução para essa condição tão grave.

De atores a jogadores de futebol, passando por Mark Zuckerberg, Bill Gates e Oprah, todo mundo já foi desafiado a sentir na pele o balde de água fria que deve ser receber esse diagnóstico. Celebridades brasileiras também começaram a participar da campanha, e o resultado é que já são mais de 1,2 milhão de vídeos publicados e mais de US$15 milhões arrecadados.

Legal, né? Claro que, junto da campanha, surgiram muitos comentários relacionando a boa ação à vontade de aparecer, condição que atinge 11 em cada 10 famosos. E não dá nem pra dizer que eles não têm fundamento, porque os vídeos estão rolando na timeline de todo mundo e nos posts dos mais badalados blogs há dias. Tem uma galera faturando legal pelo menos no clipping, e isso já faz levantar sobrancelhas.

Mas então eu digo: e daí? A melhor coisa que poderia ter acontecido a essa campanha foi cair nas mãos de uma pessoa famosa, que desafiou mais três, que desafiaram mais três e assim em diante. Se só os seus amigos estivessem brincando de se molhar com um balde de gelo, o desafio não teria a metade do impacto que está tendo agora, e isso é bom. Não só para os famosos ou pra quem gosta de propagar a boa ação do dia no Facebook, mas principalmente para quem tem ELA ou tem de lidar com isso: pacientes, familiares e uma comunidade científica que continua trabalhando para que essa doença não seja mais degenerativa e sem cura – um detalhe importante para os 2 mil brasileiros que recebem esse diagnóstico todos os anos.

Um desses casos faz parte da minha família, algo impensável para mim quando tinha 15 anos e li o livro “A primeira vez”, um romance de Joy Fielding que explora um impasse em um casamento que acaba afetado pela doença. Desde então, apesar de casos famosos (como o de Stephen Hawking), nunca tinha ouvido falar tanto em ELA, seus sintomas, causas e os maiores desafios de quem convive com esse tipo de esclerose. Se isso não ajuda no avanço das pesquisas, ao menos possibilita que mais pessoas se conscientizem sobre o assunto, procurem um médico quando apresentarem sintomas ou mesmo apenas conheçam mais sobre essa condição e as pessoas que a enfrentam todos os dias. E isso, meu amigo, não há mídia espontânea que pague.

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