Nick Hornby é genial

Download-livro-Febre-De-Bola-Nick-Hornby-em-ePUB-mobi-e-PDF-200x300Ele provavelmente não admitiria, mas é. Comecei a ler “Febre de Bola” recentemente, como uma forma não só de tirar da pilha de pendências um de seus livros mais “gordinhos”, mas também de entender, nesses dias de Copa do Mundo, o que é futebol e porque existe tanta gente disposta a chorar e sofrer por ele.

Apesar de estar acompanhando boa parte dos jogos da Copa, desde muito cedo perdi o interesse pelo futebol. Foi o fanatismo da minha família flamenguista que me fez estranhar todo aquele ritual: os Pandelós e amigos reunidos em volta de uma tevê de 14″, enrolados em bandeiras e roendo unhas. Só fui entender o que era torcer pra um time de verdade quando eu mesma escolhi, sem pressão de pai e mãe – e foi o Chicago Bulls, no basquete. O futebol mesmo, nunca entendi, e “Febre de Bola” me chamou atenção com a nova capa linda lançada pela Companhia das Letras. E agora, pouco depois de rever o filme que originou (e que trocou o Arsenal pelo Red Sox), decidi tirar a poeira do meu exemplar, que há quase um ano me espera na prateleira.

Já falei que terminei meu TCC esses dias? Pois é, fiz todas as provas finais, defendi a monografia e agora estou oficialmente livre da faculdade. Desde então, nas últimas duas semanas li “Quem sabe um dia”, da Lauren Graham; “24 horas na vida de uma mulher”, do Stefan Zweig; “Cada homem é uma raça”, do Mia Couto; “O oceano no fim do caminho”, do Neil Gaiman; e “Até o dia em que o cão morreu”, do Daniel Galera. Após meses lendo textos acadêmicos, eu só queria me deixar levar de novo pela beleza das palavras, sem aquela frieza e sisudez dos artigos e teses.

Cada um desses livros me proporcionou isso – exceto “Sábado”, do Ian McEwan, do qual li um terço e deixei pelo caminho por excesso de chatice. Mas foi “Febre de Bola”, ainda em seus capítulos iniciais, que me fez perceber o quanto uma história contada com simplicidade pode de fato melhorar o dia da gente. Parece óbvio, mas escritores costumam sofrer de uma gravíssima condição em que se sentem compelidos a, digamos, falar bonito. Eles querem impressionar ou se passar por inteligentes, usando palavras rebuscadas ou, vez ou outra, deixando escapar uma expressãozinha em francês (quem nunca?).

Não Nick Hornby. Em uma das várias descrições dos estádios por onde passou para sofrer pelo Arsenal (e tenho a sensação de que não serão poucas neste livro), ele conta em apenas um parágrafo a sensação de estar entre os torcedores e sua ansiedade por um jogo decisivo. Sem exageros, sem fru-frus, sem palavras difíceis. E cada um dos livros que li nos últimos dias consegue, a seu próprio modo, a façanha de Hornby: prender o leitor com uma prosa tão deliciosamente escrita que parece mais uma conversa, um bate-papo na mesa do bar entre uma cerveja e outra.

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Nick Hornby pode ser um grande fã de futebol e o cara por trás de ícones da cultura pop como “Alta fidelidade”, mas não é nem de longe uma pessoa com pouca bagagem. Basta ler “Frenesi polissilábico” para compreender o quanto ele ama ler (e, como todo bom leitor, comprar livros compulsivamente). “Frenesi” é uma compilação de suas colunas em uma revista literária, onde se esperaria encontrar um texto altamente intelectual, mas não é isso que ele faz. Apenas conta, todos os meses, quais livros leu e o que achou deles. Seja Charles Dickens ou o manuscrito do cunhado escritor, Hornby é leitor como eu e você e compreende o que faz um livro ser bom.

Isso talvez o tenha ajudado um pouco a ser não só um escritor de sucesso, mas um bom escritor, daqueles com fãs apaixonados o suficiente para passarem adiante o fato de que ei, você deveria ler Nick Hornby. Porque é legal, e não porque está na lista de mais vendidos ou o autor deu uma entrevista na TV. Criar esse tipo de relação e identificação com o público é algo que palavras complicadas e expressões em francês possivelmente não permitiriam. Não porque não haja lugar para esse tipo de literatura, porque há. E público também. Mas menos é mais, e no fim das contas, o que todos nós queremos é só uma boa história com personagens com quem valha a pena se importar. Isso sim é ser genial.

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