Nada de princesinha

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Tem filme que a gente se pergunta por que não assistiu antes. Geralmente são aqueles clássicos que parecem superchatos e que a gente descobre que, perdoando os cabelos e o som zoado, ainda é possível curtir uma boa história. Já outros sentimos que estamos vendo na hora certa, não importa quanto tempo tenha passado. “A princesa e o sapo” foi assim pra mim.

Já faz cinco anos que a Disney lançou aquela animação tradicional, que também chamou atenção por ter como protagonista uma menina negra. Deu tão certo que rendeu indicação ao Oscar e tudo. Ponto pra eles.

Mas eu não poderia ter assistido “A princesa e o sapo” antes, porque simplesmente não faria tanto sentido pra mim. Já comentei por aqui o quanto gostei da série “Treme”, que se passa na New Orleans pós-Katrina. Foi o começo de uma paixão que pode se tornar um dos destinos da nossa lua de mel (minha e do Dan <3). E foi o fato de se passar na New Orleans do começo do século passado que chamou a minha atenção para ver o filme.

Todas aquelas referências que eu aprendi assistindo “Treme”, vendo no livro de receitas da série ou pesquisando por aí estavam lá. A música, o sotaque, a influência francesa, os lugares e, principalmente, a comida. Me encantei novamente por aquela cidade, tão rica em seu patrimônio mais valioso: as pessoas. Foi por valorizar isso que o filme mais acertou,  colocando ali as texturas e sons que são tão característicos daquele lugar e fazendo uma história encantadora como só a Disney sabe fazer. Mais um ponto pra eles.

Mas o que mais me chamou a atenção na história de Tiana, a garçonete que sonha em abrir o próprio restaurante, foi me deparar com uma heroína com culhões. Não que ela saiba artes marciais ou atire muito bem. Ela é só uma menina que faz questão de ser ela mesma, não esquecer suas origens e falar o que pensa. Tiana não é a primeira e nem foi a última garota badass do cinema, nem mesmo do de animação, porque adivinha só? Nós somos badass.

Ela É nós. Atrapalhada, batalhadora, talentosa, engraçada, companheira. Você provavelmente conhece uma mulher que se encaixa em cada um desses adjetivos, porque o que Tiana faz é te mostrar o quão incríveis são as mulheres que você já tem na sua vida, seja mãe, irmã, esposa, avó, tia ou colega de trabalho.

Deixar isso claro para a geração que nós vamos colocar no mundo é algo que vem se tornando cada vez mais importante pra mim. Há inúmeras formas de fazer isso – educando nossos próprios filhos ou criando mais e mais histórias que mostrem que tamanho não é documento, força não é poder e gênero não é algo que nos define ou limita. Talvez, de filme em filme, de “A princesa e o sapo” a “Valente” e “Frozen”, seja possível mostrar para as nossas crias que existe um mundo de possibilidades para todos, e que ser menino ou menina, branco ou negro, hétero ou gay são só definições que sequer começam a dizer o quão incrível e único todo mundo pode ser. Basta abrir os olhos.

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