Diário de bordo: Taruíra em Ibitipoca

No último final de semana, voltei a Minas. É sempre uma experiência para o paladar, mas especialmente para o coração. Revejo amigos e lugares e volto, todas as vezes, com o peito cheio de amores por aquela terra.

Aproveitei para fazer um diário de bordo do passeio, que na verdade foi uma viagem de trabalho. Fui acompanhar o Taruíra, um sexteto instrumental de amigos queridos e de quem sou assessora de imprensa. Eles estiveram em Juiz de Fora na quinta-feira para o lançamento do DVD do filme “Ibitipoca, droba pra lá”, de Felipe Scaldini, e continuaram a festa em Ibitipoca, pertinho dali (em Minas, tudo fica a dez minutos de distância!), no sábado. Saibam como foi essa aventura:

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Sábado, 23 de março – 9h30 – Praça D. Pedro II, Petrópolis

Quando a van que levaria os calangos a Ibitipoca chega buzinando à Praça D. Pedro, no Centro Histórico de Petrópolis, o cavaquinista Guto Menezes, o técnico de som Leo Hang e a assessora de imprensa Nathália Pandeló já estavam a postos. O saxofonista Carlos Watkins vinha na frente, com o motorista Augusto; nos bancos de trás já estavam o violonista José Roberto Leão e sua esposa, Ana, e a fotógrafa Mariana Rocha. Apesar da chuva do dia anterior, faz um dia de sol em Petrópolis e os ânimos estão em alta para pegar a estrada e conhecer Ibitipoca. Seria a primeira vez que o Taruíra se apresentaria no local. Os calangos Breno Morais, Yuri Garrido e Leandro Mattos haviam seguido para lá na sexta-feira, acompanhados do diretor de mídia Felipe Hutter e do amigo DJ Papagaio.

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12h30 – Parada

Nas proximidades de Juiz de Fora, a van faz uma parada para o almoço. O cardápio não poderia ser diferente: linguiça mineira, couve, torresmo… Afinal, já é Minas Gerais, uai! A van segue um pouco mais pesada – por conta, inclusive, dos doces comprados para a sobremesa.

14h – Lima Duarte

As placas já indicam o caminho para Lima Duarte. Decidimos ignorar o GPS e procurar uma outra rota, mas, segundo orientações da Polícia Rodoviária, é mais seguro fazer o retorno a cerca de 7km e seguir por aquele caminho. Logo estamos em Lima Duarte, município a leste de Juiz de Fora com um pouco mais de 16 mil habitantes e que tem o charme das pequenas cidades de Minas. Cortamos a rua que leva à estrada, mas não sem antes receber direções de três senhores que conversam em um banco do lado de fora de uma casa. “É só virar aqui, entrar naquela rua ali e seguir reto”, simplificava um deles. Logo passamos por uma placa que aponta para a direita: “Ibitipoca”, distrito de Lima Duarte. “Drobamos” pra lá.

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14h30 – Subida de Ibitipoca

A van chega a uma ponte, também sinalizada e que indica que o caminho está certo. Começamos a subida da Serra do Ibitipoca, um trajeto de 27km, a maior parte dele por estrada de chão. As placas informam a velocidade máxima: 40km/h. No entanto, a irregularidade da pista faz o carro balançar bastante, e Augusto sequer chega perto do limite. Logo no início da subida, já é possível se encantar pelo visual deslumbrante do local. O dia também está bonito por lá, e grandes e pequenas propriedades rurais se estendem a perder de vista. São poucos os veículos que trafegam por ali e, com exceção de um trator, dois cavaleiros, alguns carros de passeio e vacas na pista, o caminho está livre. Um trecho com paralelepípedos facilitou a subida, mas logo voltamos à estrada de terra. Pregadas nas árvores, as placas apontam onde tem farmácia, bar, pousada, artesanato e os tradicionais pães de canela de Ibitipoca. Lá embaixo, as montanhas de Minas Gerais dominam uma paisagem inspiradora, de céu azul, vales, riachos, casas simples e outras nem tanto, animais pastando e muita, muita vegetação.

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15h20 – Conceição do Ibitipoca

Finalmente, a região vai se revelando mais e mais urbana e fica claro: chegamos. Augusto continua a subida até encontrarmos o shopping Portal da Serra, onde é possível ver na porta o cartaz que convida para o evento: lançamento em DVD do filme “Ibitipoca, droba pra lá” e show do grupo Taruíra, às 21h, com entrada franca. Ao procurar uma vaga para estacionar e descarregar os instrumentos, a van passa em frente ao bar IbitiLua, de onde se ouvem gritos de “êêêh!”. São Breno, Yuri, Tartaruga, Felipe e seu pai, seu Nilton, acompanhados de amigos em uma mesa tripla no bar amarelo. Logo toda a equipe Taruíra está reunida, brindando esse encontro.

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18h – Passagem de som no Portal da Serra

A chuva que caiu no fim da tarde já passou. Bateria montada e microfones ligados, Leo Hang acompanha a passagem de cada um dos oito instrumentos. O horário do show está próximo e os calangos começam a se dirigir à casa onde ficarão hospedados. A produtora e amiga Maíra Delgado encontrou um espaço que acomodasse toda a equipe, que aos poucos se instala e se prepara para voltar ao local do lançamento.

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20h30 – O show vai começar

A noite caiu e trouxe consigo o vento da serra. A temperatura diminuiu um pouco, mas quando chega ao shopping, o Taruíra já encontra um público de cerca de 200 pessoas. Os instrumentos estão a postos, assim como a banca que vende o DVD de “Ibitipoca, droba pra lá” a apenas R$10. O diretor do documentário, Felipe Scaldini, abre brevemente a noite agradecendo aos moradores do distrito por todo o apoio durante a produção e o lançamento do longa, destacando a alegria de estar encerrando esse processo no lugar em que ele começou. Scaldini logo apresenta o Taruíra ao público e a festa começa.

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Em dois sets de tirar o fôlego, os calangos colocam Ibitipoca para dançar – tudo registrado pelas lentes de Mariana Rocha. O repertório, montado pelo arranjador José Roberto Leão priorizou, além das músicas autorais, presentes no DVD “Nas nuvens”, choros tradicionais com a interpretação do Taruíra, a união de Beatles e Luiz Gonzaga em “Ticket to ride” e novos arranjos, como “Espinha de bacalhau”, de Severino Araújo. Logo todos sabiam o nome do grupo e cantavam “Êh, Taruíra!” em “Na glória”.

O show termina por volta de 1h da manhã, e a equipe se reúne para um jantar em um dos restaurantes do shopping com os amigos da Ferro Velho Produções, para comemorar o lançamento duplo, que começou no Café Muzik, em Juiz de Fora, na quinta-feira, e terminou ali, ambos ao som do Taruíra.

Domingo, 24 de março – 10h

A equipe do Taruíra começa a se preparar para o retorno a Petrópolis, marcado para as 11h. São oito pessoas na casa, mas logo todos estão prontos para sair. Breno, Tartaruga e Leo são os primeiros, rumo à Cervejaria Bohemia, onde fazem a tradicional domingueira do Chutando o Balde. Felipe Hutter e seu Nilton passam por lá para se despedirem e também iniciam viagem. A van faz uma parada na IbitiPão para um rápido café da manhã, com direito a pão de queijo e sanduíche de queijo minas, e logo começa a descida da serra. Tirando fotos pela janela, os calangos vão se despedindo de Ibitipoca. Dessa vez, com conhecimento do trajeto, a viagem é ainda mais rápida e, após uma breve parada em Três Rios, o Taruíra está de volta. José Roberto e Ana seguem viagem para o Rio, onde moram. Enquanto isso, o samba começa na Bohemia, com Breno Morais, Leandro Mattos e o Chutando o Balde. Afinal, é domingo.

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