Palavras de presente

A vendedora já bate os dedos no balcão, impaciente. Diante de três opções, você não sabe qual livro levar. Logo você, que já chega à livraria com o livro da vez em mente e dificilmente se deixa seduzir pela banca dos mais vendidos.

Mas comprar livro para outra pessoa é sempre um desafio. Apesar de ser um presente frequentemente bem recebido, há aí uma infinidade de opções e a possibilidade de errar na escolha é bem maior que a de acertar.

Isso porque a relação que cada um tem com livros é muito pessoal. Há os que lêem para aprender, os que gostam de leituras leves e divertidas, os sonhadores leitores de romances e autoajuda e outros tantos que preferem o mistério e a fantasia, capazes de transportar quem lê para lugares que sequer existem.

Livro é comprometimento. É a dedicação de ao menos algumas horas de leitura e o investimento de um tempo cada vez mais escasso. Por isso, a frustração pode ser ainda maior quando o livro não atende às expectativas e passa a apenas ocupar espaço na estante.

Por outro lado, livro bom tem o poder de mudar a vida da gente. Tanto, que alguns dão pesar em abandonar e outros acabamos revisitando com o passar do tempo. Melhor que isso, um bom livro presente remete a alguém querido.

Daí a dificuldade na escolha. Por mais que se conheça o tipo de leitor que se vai presentear, são muitos os fatores a levar em conta. Relevância e preço são os primeiros que vêm à mente, mas no fim das contas, compro um livro que compraria pra mim. Não dá pra sujeitar os amigos e familiares às palavras de gente que eu não confio – e todo mundo tem o pé atrás com um escritor ou outro.

Estou confiante nessa coisa de comprar livro. Estou conseguindo, inclusive, despertar o interesse pela leitura na criançada da família. Quando estive na Flip este ano, decidi me presentear com meu primeiro livro do Fabricio Carpinejar, um escritor que acompanho pelo seu blog e também no Twitter há bastante tempo. No momento do autógrafo, comentei com ele que aquela era a primeira vez que comprava um de seus livros para mim mesma – apenas havia comprado para amigos. Ao que ele respondeu na folha de rosto do meu “Ai meu Deus, ai meu Jesus!” com: “Para Nathália, amiga, que me embrulha para presente”.

Caiu como uma luva. Gosto de dar palavras. Apenas um leitor sabe da dificuldade de presentear com livros, pois só ele entende seu valor.

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