Mineira, uai

Quando me mudei para Petrópolis, há pouco mais de três anos, todo mundo me perguntava de onde eu era. Dizia, com certa hesitação, que era de Leopoldina, o que justificava o meu mineirês.

Agora acontece o inverso. Não só pessoas que me encontram pela primeira vez pararam de questionar minha origem, como meus amigos de Minas começaram a acusar meu suposto carioquês. Não puxo o S, mas há quem diga que eu ando prolongando as vogais…

Me senti menos eu. Só então me dei conta do quanto a terra natal significa na definição de quem a gente é. E me orgulhei ao perceber que serei mineira onde quer que eu vá – seja a serra fluminense, Nova York ou Paris. Ninguém precisa saber que a mineirinha está ali em algum lugar, desde que ela sobreviva nos ‘uais’, na paixão pelos queijos, na batida acelerada do coração à vista das montanhas…

Mas então, quando menos se espera, lá vem a mineirice sair do esconderijo e dar as caras. Sem mesmo me dar conta, solto uma frase que ninguém na Cidade do Pedro conhece. E é ali, naquela expressão de confusão no rosto fluminense, que eu me realizo. Na falta de compreensão do outro, tudo faz sentido pra mim.

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