Ah, Minas Gerais…

Só agora consegui assistir “O Palhaço”. Não me orgulho disso, mas não foi por falta de tentar. Talvez tenha sido melhor assim. O filme de Selton Mello me vem em um momento da mais pura nostalgia. Saudade de um tempo mais simples e inocente, em que as férias consistiam em joelhos arranhados e blusas manchadas de manga, jabuticaba e goiaba e a casa cheirava à carne gordurosa da minha avó, aos seus doces de leite e aos pastéis batizados de cachaça da minha tia.

O filme é lindo, bem feito e mereceu ser escolhido para representar o Brasil no Oscar – blábláblá. Mas para mim, “O Palhaço” foi uma passagem de volta a Minas, aquele lugarzinho que hoje só existe dentro de mim e para onde eu retorno todos os dias, nem que seja por breves instantes. Terra natal tem dessas coisas…

À primeira vista das montanhas, eu soube que estava em casa. Nunca fui a Ibitipoca ou Montes Claros, mas não era necessário. Aquelas estradinhas de chão, aquelas árvores, aquele gado e aquele horizonte… só existem nas Minas Gerais.

Muito mais do que o roteiro, a direção de arte, a trilha sonora e a fotografia (tudo muito competente, por sinal), o filme é um tributo à mineirice – do tipo que mata um porco para oferecer almoço a ilustres desconhecidos e dá direções para longas distâncias como quem diz “é logo ali”. “O Palhaço” pode até ser um drama existencial, mas Selton Mello fez, talvez até sem querer, uma belíssima homenagem à terrinha e àquela gente trabalhadora, acolhedora e sonhadora que a habita.

 

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