Resenha: “Como Ver Um Filme”, de Ana Maria Bahiana

Bate-papo com Ana Maria Bahiana na Casa do Saber, Rio de Janeiro, dia 30 de maio. A mediação foi do Arthur Dapieve. Tieto mesmo!

Não se deixe enganar pelo título: o novo livro de Ana Maria Bahiana parte do princípio de que o ato de se sentar naquela sala escura e se deixar levar por uma história é uma experiência muito pessoal. Portanto, a autora não quer (ou sequer tem!) a receita para se assistir a um filme. O que ela expõe, naquela gostosa linguagem que acompanhamos em seu blog, são os ingredientes de um longa metragem de ficção.

Como bem disse Arthur Dapieve no bate-papo com a autora promovido pela Casa do Saber no Rio, é como se Ana abrisse o filme e o dissecasse para quem quer entender como se chega ao produto final, nas telas de cinema. Ela explica os pormenores dos gêneros cinematográficos e como uma ideia nasce, vira um pitch, entra em pré-produção, produção e pós, chegando à distribuição e até ao marketing da coisa toda.

Tudo isso é feito de forma didática e ao mesmo tempo leve, usando como exemplos filmes que todos vimos: de Titanic a Uma Linda Mulher, passando por O Poderoso Chefão e Quem Quer Ser um Milionário. Ana mostra a base do ato de contar histórias, que remonta a Aristóteles, a construção do roteiro e o papel do diretor de arte, do editor e do diretor para que um filme chegue, finalmente, ao público. Tudo isso para melhor preparar o público para analisar, em um nível técnico, o que assiste, contribuindo assim para que fique cada vez mais claro o nosso gosto e, consequentemente, deixar a experiência cinematográfica mais prazerosa. Como diz no livro,

A isso eu chamo ver, e não assistir. Passar do estágio de plateia passiva – a que se deixa sequestrar pelo filme – para o de plateia ativa – que colabora com os realizadores acrescentando ao filme sua percepção, memórias e emoções de espectador. Deixando-se levar por algumas ideias, recusando outras. Compreendendo, o tempo todo, por que está vendo o que está vendo (e não outra coisa), nesta ordem (e não em outra) e com estes sons (e não outros, ou nenhum). Quando conseguimos isso, a experiência de ir ao cinema se transforma. O filme se abre para nós. Passamos a compreender intenções e planos de quem nos propõe o sonho do dia, e a ter os apetrechos para aceitá-los ou não. O filme se torna, como deve ser, uma conversa. De preferência, uma conversa inteligente.

Leitura obrigatória para cinéfilos – experientes ou não.

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