Resenha: Adele, de Chas Newkey-Burden

Se você desconfiou que a biografia da cantora Adele lançada pela editora Leya é apenas uma tentativa de pegar carona na fama da moça, acertou. Raso, repetitivo e chato, o livro pouco acrescenta a quem quer conhecer melhor a jovem que motivou uma verdadeira reviravolta na indústria fonográfica e conquistou plateias mundo afora.

O fascínio não se deve apenas pelos recordes quebrados: Adele Adkins é uma improvável superestrela. Ela é irreverente, boca suja e acima do peso, como muitos insistem em apontar. Isso, por si só, faz dela uma interessante personagem de uma longa reportagem jornalística.

No entanto, o leitor se depara com uma redação simplória (soma-se aí a tradução deficiente em alguns pontos) e altamente parcial. O escritor – biógrafo de Justin Bieber, Brangelina e Stephanie Meyer – faz questão de lembrar, a cada página, o quão talentosa, espetacular e sensacional Adele é. Pouco é revelado sobre sua vida antes da fama, enquanto o autor desperdiça parágrafos inteiros com detalhes irrelevantes, como o que Leona Lewis e Luke Pritchard, do The Kooks, pensam sobre a Brit, escola que frequentaram, assim como “nossa heroína” (oh, céus!). Fotos da cantora quando criança? Nem pensar! Momentos significativos, como o surgimento do contrato com a gravadora que apostou na estreante de Enfield, ganham pouco destaque.

Há quem argumente que Adele é nova demais para ter uma biografia. De fato, tudo indica que ainda a ouviremos por muito tempo e, bem, ela tem 23 anos. Mas não é a juventude da moça que atrapalha o livro de Newkey-Burden, e sim a apuração pobre. É bem provável que Adele não tenha autorizado o relato e não tenha sido entrevistada pelo autor, que abusou do Google. Boa parte das declarações (não duvido que todas elas) é proveniente de entrevistas a revistas, jornais e sites dadas pelos pais, empresário e produtores da moça.

O livro de Chas Newkey-Burden me lembrou uma “biografia não autorizada” dos Backstreet Boys que ganhei lá pelos 11 anos. Li de cabo a rabo e, àquela época, a leitura foi satisfatória. Naquele período, esse tipo de literatura era vendido na banca de jornal e trazia o preço na capa. Já este engana: com o maior jeitão de ‘livro de verdade’, trata-se de um relato repetitivo da ascensão de Adele à fama – algo que, se você acompanha as manchetes de cultura e entretenimento, já está careca de saber.

Sua história pode nem ser tão “biografável” assim: criada pela mãe, ela ouviu música desde sempre, começou a cantar aos quatro e frequentou a mesma escola que Amy Winehouse. Como ela mesmo admite, muito do que conquistou caiu do céu, graças à sua grandiosa voz. Mas pelo fenômeno que já é, Adele Laurie Blue Adkins merece uma biografia de verdade. Quem sabe aos 24?

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