Dois filmes, uma paixão

Há quem diga que, ao contrário do que possa parecer, a disputa pelo Oscar de Melhor Filme no próximo domingo (26) será entre apenas dois candidatos: A Invenção de Hugo Cabret e O Artista. Não é nenhum exagero. O primeiro teve 11 indicações, contra 10 do segundo.

Ironicamente, trata-se de dois filmes muito similares e, ao mesmo tempo, diferentes. Ambos têm em seu âmago o mesmo tema: a paixão pela sétima arte. Enquanto Hugo conta a história do menino que, na busca por uma peça para consertar uma máquina herdada do pai, descobre a magia do cinema através de Georges Meliés, O Artista traz a vida por trás das câmeras com o estrelato e a desgraça do ator George Valentin. A semelhança é ainda mais curiosa quando se para pra pensar que o filme de Scorsese é uma produção americana sobre o cinema francês e o de Michel Hazanavicius é francês e búlgaro sobre a época de ouro do cinema mudo de Hollywood.

Se por um lado temos uma volta à simplicidade de uma era em que os atores eram considerados quase que mímicos, fazendo caras e bocas para a câmera, por outro temos um diretor sexagenário brincando com a tecnologia e o 3D para reconstruir a Paris dos anos 30. Embora a minha predileção fique com Hugo, é impossível negar que ambos os filmes trazem uma deliciosa viagem ao passado, com uma inocência que está cada vez menos em voga.

Independente do resultado do Oscar no domingo que vem, é o público quem sai ganhando. Os verdadeiros amantes do cinema certamente se deliciarão com as duas homenagens.

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