O Teatro Mágico @ Fundição Progresso

Parece um mundo encantado e mágico. Malabares dividem espaço com labaredas, mulheres descem do teto e as pessoas têm as caras pintadas.Não, não é um circo: é um show da trupe do Teatro Mágico, que comemorou o lançamento do terceiro disco, “A Sociedade do Espetáculo”, na Fundição Progresso no último sábado.

O público carioca compareceu. Aliás, lotou a casa, e não desanimou quando a banda subiu ao palco, já depois de uma da manhã – mesmo após um show de abertura morno, a cargo da banda Trupe, cujas coincidências com o Teatro Mágico param por aí.

Antes disso, porém, Fernando Anitelli, cantor, compositor e líder da banda, conversou com a imprensa sobre o modelo de negócios do TM, que disponibiliza as canções para download gratuito na internet, a relação do último disco com a obra do filósofo francês Guy Debord e a crítica musical brasileira.

Um dos principais defesores da música livre e do movimento Música Para Baixar (MPB), Anitelli tem experiência que comprova seus argumentos: o primeiro CD da banda, “Entrada Para Raros”, vendeu 350 mil cópias, todas confeccionadas de forma artesanal pelo pai de Anitelli, Odácio, e comercializadas na lojinha montada durante os shows, a R$5. O novo trabalho mal saiu do forno e já atingiu a marca dos 300 mil downloads. “Fã não é pirata, é o maior tesouro do artista. Nos últimos 10 ou 15 anos, as pessoas estão buscando música na internet, que tira o atravessador cultural. Antes disso, se procurava música na rádio ou na TV. Tudo o que fazemos na vida são recombinações, e a ideia de propriedade que se tem é equivocada. Baixar música não é crime, não fere o direito autoral”, explicou o cantor. Prova disso é que os fãs não deixaram de fazer fila na lojinha para comprar camisetas, adesivos, CDs, DVDs e até itens de papelaria. Um dos atendentes é o próprio senhor Odácio.

O fenômeno era notável naquela noite, na Fundição: milhares de fãs cantavam, a plenos pulmões, canções que não são ouvidas no rádio ou dificilmente ganham espaço na MTV. Eles sabiam as novas e as antigas e vibravam com a crítica social das letras e dos comentários da banda. “Foi um show repleto de poesia, como já era esperado. O público entrou no clima de todas as músicas: cantou, dançou, pulou. A trupe mandou muito bem com as apresentações circenses e com a interação com o público. Foram duas horas que pareceram 20 minutos. Sem dúvida, um dos melhores shows que eu já assisti até hoje, não só pela ótima música, mas também pela organização e pela energia das pessoas, que vibraram juntas em todos os momentos”, contou o universitário Paulo Roberto Junior, que assistiu à banda pela primeira vez ao vivo no último sábado.

A noite foi completa pelas canjas do gaitista Gabriel Grossi, um dos convidados especiais do último CD, e do cantor ucraniano Eugene Hütz (Yevgeniy Aleksandrovich Nikolayev, para os íntimos), líder da banda Gogol Bordello. A grande salada musical do grupo de gipsy punk foi a combinação perfeita com o som do TM, que tocou com Eugene (residente do Rio de Janeiro) o sucesso “Wonderlust King”.

Canções queridinhas do público, como “O Anjo Mais Velho”, “Abaçaiado” e “Camarada D’Água”, ficaram para o bis. Como é de costume nas apresentações do grupo do mundo mágico de Oz-sasco, a plateia correspondeu com um belo coro, fechando a noite com chave de ouro.

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2 comentários sobre “O Teatro Mágico @ Fundição Progresso

  1. Junior disse:

    Foi simplesmente mágico… De fato, um dos melhores shows até hoje. E que venham muitos outros trabalhos, para que possamos curtir muitos outros shows! Como sempre, parabéns pelo texto, senhorita Pandeló! 😉

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