A imprensa em debate

Nunca se viu uma Copa do Mundo como essa. A tecnologia investida na transmissão dos jogos, agora em alta definição, permite ao telespectador o acesso a detalhes jamais vistos em uma partida de futebol. Foi, sem dúvida, um grande avanço nesse sentido.

Onde não se notou muito avanço, porém, foi no campo do jornalismo esportivo. A Rede Globo, que não tinha acesso aos treinos e à concentração da Seleção Brasileira, apelava para “entrevistas” com familiares de jogadores. O SporTV, sob o efeito dos seis protuberantes de Larissa Riquelme, preparou um VT preconceituoso sobre o país da modelo, eliminado ontem da disputa. Na mesma emissora, na transmissão do jogo Brasil x Holanda, o narrador insistia em chamar o árbitro de “o japonês”, dizendo, inclusive, que ele “amarelou”.

A mídia impressa acabou por fazer mais do mesmo, ao criticar o treinador Dunga – o que é feito desde que ele assumiu o comando da Seleção – e compilar listas das esposas mais bonitas dos jogadores e das repórteres mais atraentes (seria metalinguística?).

No entanto, foi o comportamento infantil de Dunga durante uma conferência de imprensa (!) em plena Copa do Mundo (!!) que chamou a atenção para a relação imprensa x evento esportivo. Embora muitos tenham defendido os ataques do técnico a Alex Escobar, jornalista da Rede Globo, nada justifica esse mau comportamento, principalmente quando o mundo todo está olhando.

Levantar o debate, porém, é muito válido. Onde fica o limite na relação veículo x atleta x público? Onde está a inovação na cobertura jornalística? Desde quando devemos nos contentar com o mau jornalismo, que se resigna à mesma angulação de sempre?

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4 comentários sobre “A imprensa em debate

  1. A opinião que tenho é a seguinte: quanto à polêmica rede globo x dunga, pra mim essa história tem dois lados, por um lado a estupidez e ignorância por parte do nosso treinador, isso é incontestável, por outro lado o que torna essa atitude louvável é a forma como alguém pela primeira vez na vida teve personalidade suficiente para peitar a toda poderosa rede globo, apesar da extrema arrogância e falta de educação com que Dunga lidou com a situação achei bacana o fato de não dar exclusividade a um ou a outro, mas a rede globo, por sua vez, tratou a “patada” com uma falta de profissionalismo e parcialidade gritante.
    Para o maior canal aberto da TV brasileira creio que eles deveriam tratar do assunto com o mínimo de imparcialidade possível, no entanto, o que se nota é uma tentativa desesperada de provar que estavam certos, uma necessidade de impor a todos as suas razões e, para tanto, agora a estratégia utilizada é criticar o treinador insistentemente

    Quanto ao jornalismo sarrista, com reportagens desnecessárias e “sem conteúdo” acho que deve ficar somente para programas específicos para esse tipo de reportagem, como a central da copa, por exemplo, onde o objetivo é comentar o futebol de forma divertida e cômica, acredito que nesse programa, principalmente por parte de Tiago Leifert, o papel é muito bem cumprido.

    • Nathália disse:

      Concordo que há lugar pro jornalismo esportivo divertido, mas o problema é que a cobertura, não só da Rede Globo, mas de modo geral, não foi muito original.

      Quanto ao comportamento do Dunga, não acredito que as palavras ofensivas que dirigiu ao Escobar tenham sido a melhor forma de se expressar contra a Rede Globo. Ele tem todo o direito de tirar os privilégios do canal e até se expressar contra ele, mas entre uma pergunta e outra em plena conferência de imprensa de Copa do Mundo não é lá a melhor forma de fazê-lo.

      Obrigada pela visita e pelo comentário!

  2. Sandra disse:

    Essa Copa, sob todos os aspectos, está sendo a mais fraca desde muito tempo. Acompanho todas desde 86 e fico perplexa com as coisas que vejo. Nessa em especial, que tinha tudo para ser excelente, exatamente por dispor de tantos recursos, viu-se de tudo, menos futebol e cobertura de qualidade.

    A Globo já foi uma emissora de ponta nesse tipo de evento, mas me admira muito que até a Band tenha dado suas gafes nessa Copa, além de ter um dos comentaristas mais chatos do século: Neto.

    Enfim, só posso dizer que a cada dia vejo menos TV e a uso quase que exclusivamente para ver filmes!

    beijos

  3. Então… na verdade, o comportamento do Dunga não era só contra a Globo. Ele criou essa atmosfera com toda a imprensa, não só com aquela rede, e desde antes da Copa. Ele sempre tratou muito mal todo mundo, até por remorsos de outras copas (sempre falaram de “Era Dunga” como exemplo do futebol feio, mau jogado).

    E mesmo cortando privilégios, a Globo só comprou a briga quando ocorreu o episódio com o Escobar- o que, de fato, foi lamentável. Até escrevi sobre isso (http://phfernandes.wordpress.com/2010/06/21/dunga-a-glorificacao-da-babaquice/).

    No entanto, até que esse episódio forçou uma cobertura mais isenta, sem o oba-oba de 2006, por exemplo. Menos “entretenimento”, apesar de todas as “globices” (como ir nas festas das colônias de cada seleção, ou mostrar o Olodum antes do jogo do Brasil).

    E quanto à matéria sobre o Paraguai, é uma tendência trazer o humor. Só que nesse caso carregaram muito na mão, tanto que hoje no Sportv se desculparam e mostraram uma reportagem exaltando a campanha e o povo paraguaio. E, via de regra e apesar de alguns deslizes, a transmissão dos canais pagos (ESPN e Sportv) tem muito mais qualidade que nos canais abertos.

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